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Um mês sem Maduro no poder: o que mudou na Venezuela?

Um mês sem Maduro – expectativa sobre futuro domina Caracas As primeiras bombas caíram na madrugada de 3 de janeiro, há um mês. O barulho das hélices, a...

Um mês sem Maduro no poder: o que mudou na Venezuela?
Um mês sem Maduro no poder: o que mudou na Venezuela? (Foto: Reprodução)

Um mês sem Maduro – expectativa sobre futuro domina Caracas As primeiras bombas caíram na madrugada de 3 de janeiro, há um mês. O barulho das hélices, as explosões e os clarões acordaram venezuelanos ainda sem saber o desfecho da ofensiva dos Estados Unidos: Nicolás Maduro deixava o poder. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Maduro foi capturado junto com sua esposa, Cilia Flores, e levado para Nova York para ser julgado por tráfico de drogas. O comando do país passou para Delcy Rodríguez, então vice-presidente. Sob pressão, ela conduz mudanças exigidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao mesmo tempo em que mantém o discurso chavista. Reaproximação com Washington, abertura do setor petroleiro e anúncio de anistia geral mudaram o cenário político. O que mudou na Venezuela sem Maduro? O que permanece igual? ‘Estabilidade tutelada’ Nicolás Maduro vota neste domingo (28) em Caracas, na Venezuela. JUAN BARRETO/AFP Trump ordenou o bombardeio que resultou na captura de Maduro e na morte de quase 100 pessoas, entre civis e militares. Diferentemente de intervenções anteriores dos Estados Unidos, como no Iraque, não houve ruptura total. Rodríguez manteve o chavismo no poder, sob influência direta de Washington. É uma “estabilidade tutelada”, avaliou Guillermo Tell Aveledo, professor de Estudos Políticos da Universidade Metropolitana. Trump chamou Rodríguez de “formidável” e a convidou para a Casa Branca, em data ainda indefinida. “Tudo está indo muito bem com a Venezuela”, disse em 14 de janeiro, após o primeiro telefonema entre os dois. Os países avançaram na retomada das relações diplomáticas, rompidas em 2019. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alertou que Rodríguez pode ter o mesmo destino de Maduro caso não cumpra os objetivos de Washington. Na segunda-feira (2), ela recebeu a nova chefe da missão diplomática americana, Laura Dogu, que afirmou que a “transição” faz parte da agenda bilateral. LEIA TAMBÉM EUA derrubam drone iraniano que se aproximou de porta-aviões; Irã fala em 'missão de vigilância' Cuba tem mínima recorde de 0°C e vê crise se agravar com novas sanções e apagões Ex-mulher de Bill Gates comenta suposta traição e IST do fundador da Microsoft após citações no caso Epstein: 'Feliz por estar longe' Abertura do setor petroleiro O presidente Donald Trump Brendan Smialowski/AFP A Venezuela aprovou uma reforma da lei do petróleo, atribuída por analistas à pressão dos Estados Unidos. A legislação revoga, na prática, a nacionalização de 1976 e o modelo estatista implantado por Hugo Chávez três décadas depois. Empresas privadas passam a operar de forma independente, sem a exigência de participação minoritária da estatal PDVSA. O plano do governo Trump é atrair petroleiras americanas, como a Chevron. A nova lei reduz royalties, simplifica impostos e elimina a exclusividade na exploração primária. “É a única maneira de obter investimentos relevantes”, afirmou o analista Francisco Monaldi, professor nos Estados Unidos. Especialistas estimam que a Venezuela precise de cerca de US$ 150 bilhões (R$ 788 bilhões) para recuperar a indústria, afetada por corrupção e má gestão. Trump assumiu o controle de parte das vendas de petróleo venezuelano no mercado internacional, sem os descontos impostos pelo embargo de 2019. A primeira operação rendeu US$ 500 milhões (R$ 2,62 bilhões). Governo e propaganda Uma mulher segura brinquedos do super-herói de capa chamado Super-Bigode e Cilita enquanto participa de uma marcha Pedro Mattey/AFP Teoricamente, Rodríguez lidera o governo de Maduro de forma interina. Ela substituiu ministros e oficiais de alta patente das Forças Armadas desde que assumiu o poder, embora Diosdado Cabello e Vladimir Padrino, os influentes ministros do Interior e da Defesa, permaneçam em seus cargos por enquanto. “É uma fase de reajuste para um sistema que preferia não alterar sua hegemonia”, disse Aveledo. A reaproximação com os Estados Unidos contrasta com a retórica historicamente “anti-imperialista” do chavismo, que permeia as Forças Armadas. O partido governista organiza marchas frequentes contra o que chama de “sequestro” de Maduro. A TV estatal exibe uma música que pede sua libertação. O rosto de Maduro e de Cilia Flores foram exibidos em um show de luzes com drones no Forte Tiuna, o principal complexo militar do país, onde estavam hospedados na madrugada de 3 de janeiro. O local foi bombardeado durante a incursão americana. Os drones também exibiram trechos de sua declaração ao tribunal de Nova York, onde ele se definiu como “prisioneiro de guerra”. Anistia e medo Prisão El Helicoide, em Caracas RONALDO SCHEMIDT / AFP Rodríguez anunciou uma anistia geral, que precisa ser votada pelo Parlamento nesta semana. O alcance da medida ainda é incerto. “Liberdade, liberdade!”, gritavam familiares de presos políticos do lado de fora das prisões quando receberam a notícia. Ela também anunciou o fechamento do Helicoide, prisão denunciada há anos como um centro de torturas. A expectativa é que a anistia resulte na libertação de presos políticos. Até segunda-feira, 687 pessoas continuavam detidas por motivos políticos, segundo a ONG Foro Penal. “Anistia, em princípio, significa esquecimento, não perdão”, afirmou Alfredo Romero, diretor da ONG, que rejeita qualquer medida que resulte em impunidade. O medo imposto por Maduro diminuiu, mas não desapareceu. As pessoas ainda criticam o governo em sussurros. Há uma “liberalização tática”, avaliou Aveledo. “O sistema está recalibrando o custo da repressão.” VÍDEOS: mais assistidos do g1