Tragédia com 72 mortos na Zona da Mata mineira é o 4º maior desastre por chuvas no Brasil nos últimos dez anos
O desafio da reconstrução em Juiz de Fora Com 72 mortes confirmadas até este domingo (8), a tragédia provocada pelas chuvas da última semana de fevereiro n...
O desafio da reconstrução em Juiz de Fora Com 72 mortes confirmadas até este domingo (8), a tragédia provocada pelas chuvas da última semana de fevereiro na Zona da Mata mineira já é o quarto maior desastre causado por chuvas no Brasil na última década, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que monitora os dados desde 2016. O número coloca a região entre os episódios mais letais do país e revela a força destrutiva do evento climático que atingiu, sobretudo, Juiz de Fora e Ubá. A tragédia da Zona da Mata também já é considerada, conforme o Cemaden, o maior desastre por chuvas desde as enchentes do Rio Grande do Sul, em maio de 2024. 🔎 Para essas comparações, o Cemaden considera apenas os números de mortes confirmadas pelo Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MDR). 'Curva de deslizamentos' anunciava tragédia que matou mais de 60 pessoas em Juiz de Fora Morro do Cristo: entenda qual é a formação e por que parte dele desmoronou em Juiz de Fora Além de fatal, a chuva histórica que caiu apenas na noite de 23 de fevereiro, quando foram registrados entre 100 e quase 150 mm em seis horas, provocou enchentes e enxurradas que deixaram mais de 8.500 desabrigados e desalojados. Entre eles, Marley Rodrigues, que morava no bairro Esplanada há mais de 60 anos. "Toda a minha família mora aqui. Tive o instinto de sair rápido, tiramos vizinho, minha mãe, meus irmãos e, graças a Deus, estamos aí na luta", relembrou. De acordo com a Defesa Civil, cinco pessoas morreram por conta da tragédia no bairro Esplanada e, quase 10 dias depois, os moradores ainda vivem a incerteza. Para minimizar danos, eles mesmos construíram uma contenção para evitar que a água da chuva escorra pelo barranco que deslizou. "Já conteve bastante aqui, não teve mais problema nenhum, mas o que a gente quer agora é solução. Saber se algumas pessoas podem voltar para casa ou não", disse outro morador do local, Washington Luiz de Oliveira. Já na cidade vizinha de Ubá, o comerciante Jucelito Gomes contou que a água ultrapassou um metro e meio de altura no Centro da cidade destruindo várias lojas e levando ao prejuízo centenas de pessoas. "Não deu pra salvar nada e é muito tenso, né. Não é só a perda material, a gente fica psicologicamente abalado, a gente não dorme, À noite, quando dá uma chuva, a gente acorda assustado com medo de acontecer algo. A gente perde aquela segurança de dormir em paz". ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Mortes em Juiz de Fora durante desastre de fevereiro de 2026 Os cinco maiores desastres no Brasil dos últimos 10 anos De acordo com o Cemaden, na última década, esses foram os desastres pluviométricos mais letais no país: 1️⃣Petrópolis: 233 óbitos Em fevereiro de 2022 foi registrada a pior tragédia climática da história de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, com mais de 230 mortes. O Centro da cidade ficou inundado e houve um deslizamento no Morro da Oficina, no bairro Alto da Serra, com pelo menos 80 casas atingidas. Além disso, uma correnteza extremamente forte arrastou dois coletivos. 2️⃣Rio Grande do Sul: 184 óbitos Entre abril e maio de 2024, o Rio Grande do Sul teve 96% das cidades atingidas pelas enchentes que culminaram em uma das maiores catástrofes naturais da história do estado. 3️⃣Região Metropolitana do Recife: 128 óbitos Em maio de 2022 ocorreu o maior desastre Pernambuco no século 21 provocado por chuvas e deslizamento de barreiras, com quase 130 mortes. De acordo com Cemaden, foram registrados 64 óbitos em Jaboatão dos Guararapes, 50 em Recife, 7 em Camaragibe, 6 em Olinda e 1 em Paulista. 4️⃣Zona da Mata: 72 óbitos até a publicação desta reportagem Diversos bairros de Juiz de Fora tiveram deslizamentos de encostas e casas soterradas após as chuvas da última semana, sobretudo o temporal de segunda-feira (23), contabilizando 65 óbitos. Ubá também teve temporais e enchentes e somou 7 mortes. As cidades de Cataguases e Matias Barbosa também foram muito afetadas pelas chuvas, mas não registraram mortes. 5️⃣Litoral Norte do estado de São Paulo: 65 óbitos Em fevereiro de 2023, a região do Litoral Norte de São Paulo registrou um temporal devastador que culminou em 64 mortes na cidade de São Sebastião e uma em Ubatuba. Casas foram destruídas e rodovias bloqueadas. A cidade mais prejudicada foi São Sebastião, onde a Vila Sahy foi a mais atingida por deslizamentos de terra e ficou totalmente destruída. Já em Ubatuba, uma menina de 7 anos morreu após uma pedra de duas toneladas deslizar e atingir o local onde ela morava. Juiz de Fora: 3º maior volume de chuva dos últimos 30 dias, mas teve as piores consequências Dezenas de casas foram soterradas no Parque Burnier, em Juiz de Fora TV Integração Conforme os dados do Cemaden até sexta-feira, 27 de fevereiro, Juiz de Fora foi a terceira cidade brasileira com maior volume de chuva nos 30 dias anteriores, com quase 600 milímetros. Em primeiro e segundo lugar aparecem os municípios litorâneos do estado de São Paulo: Ubatuba, com mais de 600 milímetros, e Peruíbe, com cerca de 700 milímetros. As cidades paulistas registraram alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra. Ubatuba e Peruíbe estão com centenas de desabrigados, mas, até o momento, nenhuma morte foi informada. Segundo o diretor substituto do Cemaden, Pedro Ivo Camarinha, é comum, de certa forma, cidades litorâneas terem volume de chuva muito expressivo. Mas Juiz de Fora estar entre as três cidades com maior índice pluviométrico sai do comportamento natural. "Uma cidade como Juiz de Fora, lá dentro do continente, isso não é comum. Juiz de Fora chega a volumes pluviométricos próximos aos de cidades litorâneas que se destacam com maior quantidade de chuva, mesmo estando longe do oceano, o que é realmente um caso bastante particular. Não é comum termos tantos volumes de chuva acontecendo em vários dias em sequência, como está acontecendo aí", afirmou Camarinha. LEIA TAMBÉM: FOTOS: veja a destruição provocada pela chuva em Juiz de Fora VÍDEO mostra prédio desabando em Ubá 'Perdemos tudo, móveis, carros, tudo', desaba moradora Quem são as vítimas da chuva em Juiz de Fora Juiz de Fora teve o mês mais chuvoso da série histórica e episódio do Inmet Juiz de Fora é a 9ª cidade com maior população em áreas de risco De acordo com um levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Juiz de Fora é a 9ª cidade do Brasil com maior população em áreas de risco de deslizamentos, enchentes e enxurradas. População de Juiz de Fora: 540.756 habitantes Pessoas que vivem em áreas de risco: 128.946 Percentual da população em áreas de risco: 23,7% Áreas de risco: Deslizamentos, enchentes e enxurradas. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes .