'Taxa das blusinhas': pesquisa interna que apontou rejeição de 70% foi determinante para revogação improvisada por Lula
'Taxa das blusinhas': pesquisa interna que apontou rejeição de 70% foi determinante para revogação improvisada por Lula Uma pesquisa interna realizada pelo ...
'Taxa das blusinhas': pesquisa interna que apontou rejeição de 70% foi determinante para revogação improvisada por Lula Uma pesquisa interna realizada pelo Palácio do Planalto foi o estopim para a mudança repentina de postura do governo federal em relação à chamada "taxa das blusinhas" — a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50. O levantamento identificou que a taxa possuía 70% de rejeição, consolidando-se como o item mais impopular entre todas as ações da atual gestão. A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "bater o martelo" e anunciar o fim do tributo ocorreu de forma improvisada nesta terça-feira (12). Diferente de outros anúncios econômicos de grande impacto, este não contou com entrevista coletiva ou qualquer estratégia publicitária prévia. Além dos números internos, dois fatores externos aceleraram a decisão presidencial: protagonismo do Legislativo: o governo temia que o Congresso avançasse com a derrubada da taxa por iniciativa própria, especialmente sob a liderança da oposição. Isso deixaria o Executivo "a reboque" dos acontecimentos, gerando um desgaste político ainda maior. mobilização digital: a forte repercussão negativa nas redes sociais ao longo da última semana, inflamada por parlamentares oposicionistas, elevou a urgência do tema no gabinete presidencial. Em um cenário pré-eleitoral de polarização, fontes do Planalto afirmam que "qualquer mudança que melhore o humor da população pode se reverter em votos", e essa percepção político-eleitoral foi o peso final na balança presidencial. Divisão no Governo A manutenção da taxa era defendida pela área técnica, liderada, anteriormente, pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e pelo vice-presidente e então ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin. Os argumentos focavam em: prevenção da perda de empregos no setor nacional. proteção dos setores têxtil e varejista brasileiros. combate a manobras de fracionamento de envios para burlar a fiscalização. Entretanto, o debate político ganhou força desde o início do ano, impulsionado principalmente pela primeira-dama, Janja da Silva. Com a ausência de Haddad no dia a dia imediato das discussões no Planalto, a ala política viu o espaço necessário para convencer o presidente de que o impacto eleitoral negativo superava os ganhos fiscais. Receio de ampliação da isenção Apesar do alívio popular com a revogação, o governo agora monitora um novo risco no Congresso: a possibilidade de parlamentares tentarem estender a isenção ou reduzir impostos para as pequenas empresas do setor têxtil brasileiro. Se essa pauta avançar, o impacto nas contas públicas poderá ser significativamente maior do que o previsto originalmente com o fim da taxa de importação, criando um novo "rombo" no orçamento federal. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ricardo Stuckert/ Presidência da República