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Taturana pica ou queima? Conheça a lagarta que pode causar hemorragia no corpo humano

Taturana pica ou queima? Conheça a lagarta que pode causar hemorragia no corpo humano Uma simples encostada em um tronco de árvore pode desencadear um acident...

Taturana pica ou queima? Conheça a lagarta que pode causar hemorragia no corpo humano
Taturana pica ou queima? Conheça a lagarta que pode causar hemorragia no corpo humano (Foto: Reprodução)

Taturana pica ou queima? Conheça a lagarta que pode causar hemorragia no corpo humano Uma simples encostada em um tronco de árvore pode desencadear um acidente grave. Camufladas na casca, algumas lagartas conhecidas popularmente como taturanas possuem cerdas venenosas capazes de provocar dor intensa e, em casos raros, hemorragias potencialmente fatais. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp Entre 2019 e 2023, o Brasil registrou 26.941 acidentes envolvendo lagartas, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. Esses episódios representaram cerca de 1,86% dos acidentes com animais peçonhentos registrados no país nesse período. Embora muita gente diga que a taturana “queima” ou “pica”, o mecanismo do envenenamento é diferente. O contato com o corpo do animal rompe estruturas microscópicas presentes nas cerdas — semelhantes a pequenas agulhas — que liberam toxinas na pele. Esse tipo de acidente é chamado na medicina de erucismo. VIU ISSO? VÍDEO: Homem grava boipeva tentando engolir sapo-cururu enorme Filhote da jiboia mais rara do mundo é encontrado vivo pela 1ª vez em SP Novo fungo 'zumbi' que controla aranhas é descoberto em Minas Gerais O efeito geralmente começa com dor intensa, vermelhidão e inchaço no local do contato. Em algumas espécies, porém, o quadro pode evoluir para uma síndrome hemorrágica, com sangramentos em diferentes partes do corpo. Taturana Oblíqua (Lonomia obliqua) jauregui / iNaturalist A lagarta mais perigosa do Brasil A maioria dos acidentes provoca apenas sintomas locais. Mas algumas espécies representam um risco muito maior. Entre elas estão as lagartas do gênero Lonomia, consideradas responsáveis pelos casos mais graves de envenenamento. Várias taturans juntas em uma árvore alinefreitas14 / iNaturalist Esses insetos pertencem à família Saturniidae e costumam viver agrupados em troncos de árvores, o que aumenta o risco de contato acidental. O corpo apresenta espinhos ramificados esverdeados, que lembram pequenos “pinheirinhos”. Na América do Sul são conhecidas cerca de 60 espécies de Lonomia, das quais sete podem causar hemorragias graves em humanos. No Brasil, existem 13 espécies registradas, sendo quatro potencialmente capazes de provocar acidentes graves. A espécie mais associada a envenenamentos graves é Lonomia obliqua, encontrada principalmente nas regiões Sul e Sudeste do país. O veneno que interfere na coagulação Após o contato com a lagarta, os primeiros sintomas costumam surgir rapidamente. Entre os sinais iniciais estão: dor intensa no local do contato dor de cabeça náuseas mal-estar dores musculares Em casos mais graves, o envenenamento pode evoluir para uma síndrome hemorrágica, caracterizada por sangramentos espontâneos. Lonomia obliqua adulta tvbr / iNaturalist Entre as complicações possíveis estão: sangramento nas gengivas presença de sangue na urina hematomas extensos hemorragias internas insuficiência renal aguda Isso ocorre porque substâncias presentes no veneno da Lonomia obliqua interferem diretamente no sistema de coagulação do sangue. Estudos mostram que toxinas presentes nas secreções da lagarta possuem atividade procoagulante e fibrinogenolítica, capazes de degradar proteínas essenciais do processo de coagulação, especialmente o fibrinogênio, responsável pela formação de coágulos. Quando os níveis dessa proteína caem, o organismo perde a capacidade de estancar sangramentos. Várias taturanas em um tronco jonathan_ehlert / iNaturalist Onde ocorrem mais acidentes Os acidentes geralmente acontecem quando pessoas encostam em troncos de árvores ou manipulam vegetação onde as lagartas estão agrupadas. Dados do Ministério da Saúde mostram que as partes do corpo mais atingidas são: mãos — 46,47% dos casos braços — 20,49% pés — 13,35% pernas — 7,91% Entre 2019 e 2023, os acidentes com lagartas foram registrados em 3.023 municípios brasileiros. A maioria das ocorrências acontece durante os meses de verão, quando as lagartas estão em fase de crescimento antes de se transformarem em mariposas. Casos graves e mortes Apesar de raros, acidentes com lagartas podem levar à morte. Entre 2019 e 2023, o Brasil registrou 12 óbitos relacionados ao erucismo. Desse total, três foram confirmados como causados por espécies do gênero Lonomia, que concentram os quadros mais graves de envenenamento. Uma das principais complicações associadas aos casos fatais é a insuficiência renal aguda, que pode ocorrer em cerca de 12% dos acidentes graves. A gravidade do envenenamento depende de vários fatores, como: espécie da lagarta número de cerdas que entram em contato com a pele extensão da área atingida quantidade de toxina liberada condição de saúde da vítima O que fazer ao encontrar uma taturana Lonomia obliqua adulta luvetel_bichoverdeporai / iNaturalist Especialistas orientam que ninguém tente tocar ou remover a lagarta sem proteção ou orientação adequada. As recomendações são: Evite contato direto. As lagartas podem estar agrupadas e camufladas nos troncos. Acione a vigilância sanitária ou o centro de zoonoses. Equipes treinadas podem fazer a retirada segura. Em caso de contato com a pele: lave o local apenas com água e sabão não utilize remédios caseiros procure atendimento médico o mais rápido possível Se possível, uma foto do animal pode ajudar na identificação da espécie. Animais pequenos, risco real Com a expansão urbana sobre áreas naturais e a presença desses insetos em pomares, jardins e áreas de mata, o encontro com taturanas tem se tornado cada vez mais comum. Por isso, ao caminhar por trilhas ou mexer em vegetação, especialistas fazem um alerta simples: nem tudo que parece apenas casca de árvore é, de fato, apenas casca. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente