Rebelião policial na Argentina tem queima de pneus e cobrança por melhores salários
Policiais queimam pneus e pedem por melhores salários na Argentina, em 11 de fevereiro de 2026 Juan Mabromata/AFP Policiais protestaram nesta quarta-feira (11)...
Policiais queimam pneus e pedem por melhores salários na Argentina, em 11 de fevereiro de 2026 Juan Mabromata/AFP Policiais protestaram nesta quarta-feira (11) na cidade argentina de Rosário, uma das mais afetadas pela violência no país, e cobraram melhores salários e atenção à saúde mental. É o terceiro dia consecutivo de manifestação em frente à sede da polícia, com queima de pneus e sirenes ligadas. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O protesto começou na segunda-feira (9), quando dezenas de agentes e familiares se reuniram diante do departamento de polícia e foram dispersados com empurrões por colegas, o que aumentou a tensão. Com salários em torno R$ 3,1 mil por mês, policiais afirmam que precisam fazer horas extras para complementar a renda e pedem apoio psicológico diante da sobrecarga de trabalho e da falta de recursos para manter a segurança na cidade. Cerca de cem policiais da província de Santa Fé, onde fica Rosário, voltaram a se reunir nesta quarta-feira em frente à sede policial, onde uma coluna de fumaça preta se formou após a queima de pneus. Um cartaz dizia: “Chega de ser apenas um número, justiça pelos que já não estão aqui”. Viaturas e motos policiais também participaram do ato, com sirenes ligadas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 “Os policiais estão muito estressados de tanto trabalhar. Saem do plantão e fazem horas adicionais. A cabeça não aguenta, o corpo não aguenta”, disse à AFP Yamile, empregada doméstica e filha de um policial que preferiu não se identificar. Ela afirmou que a categoria pede “apenas um salário digno para que possam ao menos pagar pelos alimentos sem ter que fazer hora extra”. O governo provincial informou na terça-feira (10) que 20 agentes foram suspensos por causa do protesto e determinou a entrega das armas e dos coletes à prova de balas. Manifestantes dizem que mais de 60 policiais foram punidos. O ministro da Segurança de Santa Fé, Pablo Cococcioni, anunciou nesta quarta-feira a reintegração dos suspensos, prometeu atualizar salários e disse que o governo trabalha para reforçar programas de saúde mental. Ainda assim, o protesto continuou. “O efetivo vai permanecer no local até vermos como vai ficar a questão do salário”, afirmou o oficial Sebastián Izquierdo à AFP. “Não se chegou a nenhum acordo” sobre remuneração, disse a jornalistas Gabriel Sarla, ex-policial e advogado que atua como intermediário dos manifestantes. No meio do dia, o chefe de polícia Luis Maldonado deixou a sede da corporação, mas foi abordado e empurrado por manifestantes, que gritavam “Renuncie!”. LEIA TAMBÉM Manifestantes e policiais entram em confronto durante protesto contra reforma trabalhista na Argentina Atiradora que realizou ataque no Canadá matou a própria mãe e irmão, diz polícia EUA avaliam ataque ao Irã e preparam envio de novo porta-aviões ao Oriente Médio, diz jornal Suicídios Manifestantes carregam cruz com nomes de policiais argentinos que morreram em serviço ou tiraram a própria vida Juan Mabromata/AFP A mobilização ganhou força após a morte do suboficial Oscar Valdez, de 32 anos, na semana passada. Ele é o caso mais recente de uma série de suicídios dentro das forças policiais de Santa Fé. Policiais ouvidos pela AFP sob anonimato afirmam que, além da carga de trabalho, precisam pagar pela internet dos escritórios, uniformes e até munições. “Eles têm que comprar a roupa, as balas, tudo isso é real”, disse Yamile. Entre os manifestantes estava Néstor, policial aposentado de 68 anos, que afirmou que o neto, também policial, se suicidou em maio de 2025. Segundo ele, o jovem foi “empurrado por este sistema corrupto que existe, por tantas pressões, pessoais e institucionais também: que o dinheiro não é suficiente, que é preciso fazer horas extras, que existe uma família para sustentar”. Manifestantes exibiam cartazes com frases como “sem salários dignos não há saúde mental” e uma cruz com cerca de 20 nomes de policiais que se suicidaram ou morreram em serviço. Às margens do rio Paraná, a cerca de 300 km de Buenos Aires, Rosário é a terceira maior cidade da Argentina, com 1,3 milhão de habitantes. A região abriga um dos maiores portos agroexportadores do mundo. Por outro lado, a cidade ficou conhecida pela violência ligada ao tráfico de drogas e por ameaças a jogadores nascidos ali, como Ángel Di María e Lionel Messi, ou a familiares deles. Com taxa de homicídios de 5,7 por 100 mil habitantes, Santa Fé lidera as estatísticas nacionais. Os números, porém, indicam queda nos últimos dois anos, após índices próximos de 20 por 100 mil na década passada.