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Proteína ligada ao Alzheimer se espalha pelo cérebro por conexões entre neurônios, mostra estudo

AdobeStock A progressão do Alzheimer pode seguir um “mapa” interno do próprio cérebro. Um estudo publicado na revista Neuron identificou que a proteína ...

Proteína ligada ao Alzheimer se espalha pelo cérebro por conexões entre neurônios, mostra estudo
Proteína ligada ao Alzheimer se espalha pelo cérebro por conexões entre neurônios, mostra estudo (Foto: Reprodução)

AdobeStock A progressão do Alzheimer pode seguir um “mapa” interno do próprio cérebro. Um estudo publicado na revista Neuron identificou que a proteína tau —uma das principais envolvidas na doença— se espalha entre neurônios conectados, acompanhando as vias naturais de comunicação neural. A descoberta ajuda a explicar por que os sintomas da doença avançam de forma gradual, começando pela memória e evoluindo para prejuízos cognitivos mais amplos —e abre caminho para novas estratégias de tratamento. Como a doença avança no cérebro O Alzheimer é marcado pelo acúmulo de duas proteínas: a beta-amiloide e a tau. A tau, normalmente responsável por dar sustentação estrutural aos neurônios, passa a se deformar e formar emaranhados tóxicos dentro das células. O que ainda não estava claro era como esses emaranhados “viajam” pelo cérebro. Segundo o novo estudo, pequenos fragmentos da proteína conseguem se deslocar de um neurônio para outro por meio das sinapses —as conexões que permitem a comunicação entre as células cerebrais. Na prática, isso significa que a doença não se espalha de forma aleatória, mas segue as rotas já existentes na rede neural. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como início da perda de memória se torna declínio cognitivo Os pesquisadores observaram que a proteína tau tende a surgir primeiro no lobo temporal —região essencial para a memória— e, depois, avançar para o lobo frontal, ligado ao pensamento complexo. Essa trajetória acompanha a evolução clínica da doença: no início, surgem falhas de memória; com o tempo, aparecem dificuldades cognitivas mais amplas. A análise foi feita com base em dados de 128 participantes acompanhados ao longo de anos, incluindo exames de imagem e amostras cerebrais após a morte. Cada cérebro pode evoluir de forma diferente Um dos pontos mais relevantes do estudo é que a velocidade e a extensão dessa disseminação variam de pessoa para pessoa. Isso acontece porque cada indivíduo tem um padrão único de conexões neurais —o que influencia diretamente como e até onde a proteína tau consegue se espalhar. Ou seja: a arquitetura do cérebro pode ajudar a determinar a progressão da doença. O que muda para o tratamento A descoberta reforça uma hipótese importante: bloquear a disseminação da proteína tau pode ser uma forma de retardar o Alzheimer. Os pesquisadores destacam que terapias com anticorpos já vêm sendo testadas justamente para impedir que a proteína saia de um neurônio e atinja outros. Se esse processo for interrompido, a progressão da doença pode ser desacelerada —ou até evitada em fases iniciais. O que ainda falta entender Apesar do avanço, os cientistas ressaltam que ainda são necessários mais estudos para detalhar exatamente como esse transporte acontece dentro do cérebro. Mesmo assim, o trabalho representa uma das evidências mais robustas até agora de que o Alzheimer se espalha seguindo as conexões neurais —e não apenas por acúmulo local de proteínas.