Professor de Campos propõe rota até Marte até três vezes mais curta usando órbitas de asteroides
Professor de Campos desenvolve rota mais curta para Marte Um professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em Campos dos Goytacazes, no Norte F...
Professor de Campos desenvolve rota mais curta para Marte Um professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense propôs um novo caminho para missões espaciais rumo a Marte, capaz de reduzir o tempo de viagem em até três vezes em comparação aos trajetos atualmente utilizados. A ideia, baseada no uso de órbitas de asteroides como referência, foi desenvolvida ao longo de quase uma década e resultou em um artigo aceito por uma revista científica internacional. A proposta é do doutor em Física Marcelo de Oliveira Souza, que começou a desenvolver o estudo em 2015, enquanto acompanhava asteroides que transitam por órbitas próximas às da Terra e de Marte. 📱 Siga o canal do g1 Norte Fluminense no WhatsApp. Durante essas análises, ele identificou trajetórias naturais que poderiam funcionar como atalhos no espaço. Marcelo de Oliveira Souza, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense. Reprodução Inter TV “Eu estava acompanhando asteroides que iam passar próximos da Terra para analisar a possibilidade de colisão. Fui estudando essas órbitas e encontrei um asteroide que, naquele momento, passava próximo da Terra e de Marte. Era uma viagem rapidíssima, que levava cerca de 30 dias. Então imaginei se não seria possível adaptar essa órbita para uma nave”, afirmou o pesquisador. Segundo o professor, apesar da ideia inicial parecer simples, as altas velocidades envolvidas tornavam o projeto inviável nas condições tecnológicas da época. Além disso, era necessário considerar diversos fatores físicos e operacionais para transformar a hipótese em uma proposta científica consistente. Há dez anos, o estudo esbarrava nas limitações de softwares e ferramentas disponíveis para simulações seguras de viagens futuras. Esse cenário começou a mudar recentemente, com o avanço tecnológico e o uso de recursos mais sofisticados. “Na época, o meu conhecimento e o acesso às ferramentas não permitiam fazer uma previsão segura de uma viagem futura usando a órbita desses asteroides como referência. Agora, com ferramentas mais poderosas e com o auxílio da inteligência artificial, foi possível avançar nas simulações”, explicou. Atualmente, missões ao planeta vermelho podem durar entre dois e três anos, considerando ida, permanência e retorno. Pela nova proposta apresentada pelo pesquisador, o trajeto poderia ser reduzido para cerca de sete meses, incluindo uma estadia aproximada de 15 dias em Marte. Um dos cenários mais promissores identificados nas simulações indica uma janela favorável para esse tipo de missão em 2031. O trabalho foi submetido à avaliação científica e aceito para publicação na revista Acta Astronautica, ligada à Academia Internacional de Astronáutica, sob o título “Utilizando dados orbitais iniciais de asteroides para missões rápidas a Marte”. “Não basta dizer que está certo. É preciso que outras pessoas analisem, avaliem se a metodologia está correta e se o que foi proposto faz sentido. Para minha satisfação, o trabalho foi aceito por uma revista de referência na área”, disse o professor. A publicação completa, com todos os dados técnicos, deverá ser divulgada em breve. Além da pesquisa, Marcelo de Oliveira Souza também destacou o potencial do interior do estado do Rio de Janeiro para a astronomia. Ele coordena um clube de astronomia que completa 30 anos em 2026 e anunciou a realização de eventos internacionais ainda neste mês, em Campos dos Goytacazes. “São 30 anos de uma jornada longa. Teremos eventos internacionais nos dias 23 e 25 de abril, com palestrantes dos Estados Unidos e de outros locais. É gratuito, e todos estão convidados a participar do nosso encontro”, afirmou.