Planalto e PT esperam que Wagner faça gesto de entregar liderança do governo para blindar campanha de Lula
Entenda a ligação entre Jaques Wagner e Augusto Lima Integrantes do Palácio do Planalto e do PT esperam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) entregue o cargo ...
Entenda a ligação entre Jaques Wagner e Augusto Lima Integrantes do Palácio do Planalto e do PT esperam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) entregue o cargo de líder do governo no Senado depois da operação da Polícia Federal (PF) desta quinta-feira (18), que mirou a relação dele com o ex-banqueiro Augusto Lima, ex-sócio do banco Master. Interlocutores do presidente Lula ainda aguardam uma reunião para avaliar a repercussão política do episódio envolvendo Wagner. O petista chegou essa madrugada em Brasília, depois de participar da reunião de cúpula do G7 na França. A avaliação interna é de que será preciso blindar a campanha de Lula do episódio. O tom do Planalto é de se afastar ao máximo do escândalo, deixando a responsabilidade da explicação com o próprio Wagner. “A investigação tem que ir até o fundo. Doa a quem doer, tem que pegar tudo. A Polícia Federal tem que apurar tudo do escândalo Master”, disse ao blog um interlocutor do presidente Lula. Tanto no Planalto como no PT, a avaliação é que Jaques fará um gesto de entregar o cargo de líder. “Conhecendo Wagner, ele vai entregar a liderança”, reforçou outro interlocutor de Lula. Jaques Wagner (PT-BA) durante sessão do Senado nesta terça-feira (20). Marcos Oliveira/Agência Senado No governo, o ambiente é de surpresa. A avaliação é que Jaques deveria ter se antecipado e deixado a liderança sabendo do que poderia surgir na investigação. Há o reconhecimento de que a investigação da PF revela fatos graves envolvendo Wagner. Além disso, que a resposta política precisa ser firme para se diferenciar dos casos do senador Flávio Bolsonaro (PL), que pediu dinheiro para Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro; e do senador Ciro Nogueira que recebeu mesada do ex-banqueiro de acordo com a PF. Apoio do PT O presidente do PT, Edinho Silva, soltou uma nota oficial. “O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”. A PF investiga se o senador atuou diretamente em favor de projetos de interesse do grupo financeiro. Entre as medidas citadas estão a chamada "Emenda Master" e uma proposta legislativa que visava ampliar o limite do crédito consignado, setor onde o grupo de Vorcaro e Lima possui forte atuação por meio do Credcesta. 'Benefícios indevidos' Em contrapartida a essa atuação parlamentar, os investigadores suspeitam que Wagner tenha sido beneficiado com: Propina: repasses que somariam R$ 3,5 milhões, realizados por meio de uma empresa ligada ao enteado, Eduardo Mendonça Sodré Martins, o "Dudu", e à nora do senador, Bonnie Toaldo Bonilha. Imóvel de luxo: a transação suspeita de um apartamento no Poeme Residence (unidade 1702), localizado no bairro do Horto Florestal, em Salvador — área nobre da capital baiana. O apartamento está avaliado em mais de R$ 2,4 milhões, segundo a PF. Mordomias: o uso frequente de aeronaves particulares e o recebimento de ingressos para shows. Na decisão, consta a compra de ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados Unidos, no valor de mais de R$ 63 mil pagos pela empresa Reag Investimentos em favor da família do senador.