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Panamericano: o bairro originado por militares dos EUA na 2ª Guerra Mundial que tem ruas com nomes de estados

Veja imagens aéreas do Panamericano, bairro de Fortaleza com ruas com nomes de estados. Já imaginou conseguir ir de Santa Catarina ao Amazonas com apenas algu...

Panamericano: o bairro originado por militares dos EUA na 2ª Guerra Mundial que tem ruas com nomes de estados
Panamericano: o bairro originado por militares dos EUA na 2ª Guerra Mundial que tem ruas com nomes de estados (Foto: Reprodução)

Veja imagens aéreas do Panamericano, bairro de Fortaleza com ruas com nomes de estados. Já imaginou conseguir ir de Santa Catarina ao Amazonas com apenas alguns passos? O deslocamento, ainda que simbólico, é possível em um cruzamento do bairro Panamericano, em Fortaleza. O local é famoso pelas ruas com nomes de estados e carrega uma origem curiosa, relacionada à Segunda Guerra Mundial. 🎉 A cidade de Fortaleza completa 300 anos no dia 13 de abril de 2026. O g1 Ceará publica uma série de reportagens contemplando histórias e curiosidades de todas as regionais até a data do aniversário da capital cearense. A Regional 11 tem população estimada em 240 mil habitantes e é formada por 13 bairros: Pici, Bela Vista, Panamericano, Couto Fernandes e Demócrito Rocha, Autran Nunes, Dom Lustosa, Henrique Jorge, Jóquei Clube e João XXIII, Genibaú, Conjunto Ceará I e Conjunto Ceará II. Quase todos os bairros dessa regional possuem Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) inferior a 0,500, considerado muito baixo. A única exceção é o Jóquei Clube, que possui IDH de 0,610. A região concentra áreas residenciais e comerciais, como condomínios, lojas e shoppings. A Regional 11 também marca a cidade por sediar o time de futebol Fortaleza Esporte Clube, no bairro Pici. Alguns bairros são margeados pelo Rio Maranguapinho, como o Autran Nunes e o Conjunto Ceará. Panamericano: o bairro de Fortaleza que tem ruas com nomes de estados. Ismael Soares/SVM História do bairro No Panamericano, quarteirões separam Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rondônia, Goiás, etc, em um espaço de pouco mais de 500 m² da Regional 11 de Fortaleza próximo a bairros como Pici, Parangaba e Montese. O pequeno bairro, quase engolido pelos vizinhos, abriga cerca de 8.580 moradores (conforme censo do IBGE em 2022), que circulam pelas ruas-estados tendo como ponto de encontro principal a Praça Mauá, a maior - e uma das duas - do bairro. Hoje, o Panamericano é majoritariamente residencial, reflexo de uma ocupação populacional iniciada à época da Segunda Guerra Mundial. Os primeiros habitantes, conforme registros históricos, eram militares estadunidenses no fim dos anos 1950. Logo depois, vieram os militares brasileiros da Aeronáutica. Seguidos, enfim, por habitantes civis. A região onde hoje se encontra o bairro Panamericano era constituída por vários sítios, um loteamento de uma área que pertencia à família Gentil. Os militares estadunidenses que primeiro ocuparam a região em que hoje fica o bairro possuíam relação com a base militar dos EUA instalada próximo, no bairro Pici. 💡 Dessa origem, vem o nome “Panamericano”. Na etimologia do termo, “Pan” vem do latim, que significa "tudo", "todo", "inteiro" ou "totalidade". Já “americano” se refere a quem nasce nas Américas. O artesão Claudio Sombra mora no Panamericano há quase cinco décadas e criou uma relação forte com a história do bairro. “Eu acompanhei uma boa parte da mudança do bairro Panamericano, só que o bairro começou no início dos anos 50. Era um bairro que se chamava Zaningas, que vem do nome de uma planta, de uma vegetação que dá em regiões ribeirinhas, como essa região toda tinha muitos riachos, até pequenos lagos”, explicou o morador. O artesão Claudio Sombra mora no bairro Panamericano desde 1978. Arquivo pessoal “Aí, como todo bom cearense gosta de emendar os nomes, né? Botar um ‘Z’ na frente de tudo, aí passou a se chamar ‘Zaningas’. Só foi mudar mesmo depois da ocupação norte-americana, que foi nos anos 40, 45. Então, nos anos 50, após a desocupação norte-americana, devido à grande influência da ocupação no Pici, começaram a chamar o bairro de Panamericano”, complementou. Claudio, que chegou ao bairro com quatro anos, disse que sempre se interessou pela história do Panamericano, então decidiu por conta própria ir atrás de informações históricas do local — mesmo tendo estudado apenas até o 5º ano do ensino fundamental. Ele disse que a influência da ocupação norte-americana no bairro ainda é presente, especialmente entre os mais velhos, que chamam de “Base Velha” o Campus do Pici da Universidade Federal do Ceará (UFC), onde antes ficava uma unidade militar estadunidense. Resgate da memória A Praça Mauá é um dos principais pontos de encontro dos moradores do bairro Panamericano. Ismael Soares/SVM O interesse genuíno pelo bairro fez com que, há dez anos, Claudio criasse uma comunidade no Facebook dedicada a contar relatos e compartilhar imagens do bairro. O grupo “Pan Americano, Memórias!” conta com mais de 31 mil membros, que compartilham e apreciam as histórias de ex e atuais moradores. “Essa página foi criada justamente para eu aprender mais sobre o bairro. Eu sempre gostei de história. Eu via muita gente contando a história do Ceará, da grande Fortaleza, do Brasil, e eu sempre achei aquilo bonito”, comentou o artesão. “Eu nunca vi ninguém contando a história aqui do bairro, da região. Então, eu decidi criar uma página onde as pessoas vão compartilhar os conhecimentos que têm, compartilhar fotos, e cada foto vai ser comentada. Foi um sucesso”, destacou. Há cinco anos, ele também criou um perfil no Instagram dedicado ao bairro, que já ultrapassou 3 mil seguidores. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará