Pacheco repete que STF é 'realmente página virada'
Diante de especulações de que seu nome — depois da derrota do advogado-geral da União, Jorge Messias — poderia ser indicado para o Supremo Tribunal Feder...
Diante de especulações de que seu nome — depois da derrota do advogado-geral da União, Jorge Messias — poderia ser indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) refutou essa possibilidade novamente. Em conversa com o blog nesta quinta-feira (30), Rodrigo Pacheco — nome preferido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para o STF — afastou essa possibilidade. "É bom deixar claro que não há a mínima possibilidade de isso acontecer. Essa página está realmente virada para mim e eu afirmei isso desde o primeiro momento. Esse tempo passou, se algum dia existiu. Melhor nem especular sobre isso", afirmou. O nome de Rodrigo Pacheco voltou a circular como uma saída para Lula emplacar um nome para a vaga no lugar de Luís Roberto Barroso. Sadi: clima eleitoral e caso Master explicam derrota de Messias Nesta quarta (29), depois da derrota do governo, senadores governistas e da oposição diziam que se Lula tivesse enviado o nome de Pacheco o resultado seria totalmente diferente. LEIA MAIS: Oposição garante que não há clima para envio de novo nome para STF antes das eleições Aliados do governo querem mulher no STF para emparedar Alcolumbre e oposição Reação a derrota de Messias no Congresso divide governo Lula Derrota do governo O Plenário do Senado Federal impôs uma derrota histórica ao governo Lula ao rejeitar, por 42 votos a 34 e uma abstenção, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Esse desfecho marca a primeira vez desde 1894 que os senadores barram um nome indicado pela Presidência da República para a Corte. O protagonismo e o "recado" de Alcolumbre Os bastidores da votação revelam uma articulação intensa liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que atuou diretamente para derrubar o nome de Messias. Em conversas reservadas, Alcolumbre teria afirmado que "quem manda no Senado sou eu", sinalizando que não aceitaria negociações fora de seu radar. A confiança de Alcolumbre na derrota foi tamanha que ele chegou a prever o placar exato segundos antes do anúncio oficial. Em um cochicho que vazou na transmissão da TV Senado, ele disse ao líder do governo, Jaques Wagner: "Acho que ele vai perder por oito" — margem que se confirmou exatamente no painel. Alcolumbre, que preferia a indicação de seu aliado Rodrigo Pacheco, demonstrou força institucional ao controlar o ritmo e o desfecho da votação. Fatores que levaram à rejeição Diversos elementos convergiram para o revés do governo no Senado: Articulação da Oposição: o grupo liderado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) transformou a votação em um símbolo de enfrentamento ao Planalto, aproveitando o clima eleitoral antecipado. Caso Banco Master: a expectativa sobre delações envolvendo o Banco Master e o possível comprometimento de nomes do Centrão gerou um ambiente de apreensão e descontentamento com o governo. Resistência no STF: relatos de bastidores indicam que ministros do próprio Supremo, como Alexandre de Moraes, não viam com entusiasmo a indicação de Messias, o que teria influenciado senadores. Falha de articulação do governo: aliados admitem que faltou "termômetro" e pulso à equipe política de Lula para mapear as traições dentro da própria base, que se tornaram evidentes com o resultado elástico. Reações de Messias e do governo Após o resultado, Jorge Messias afirmou que "a vida é assim" e que aceitava a soberania do Plenário, ressaltando que cumpriu sua etapa no processo. Ele se encontrou com o presidente Lula no Palácio da Alvorada logo após a sessão, onde foi tranquilizado. O ministro Guilherme Boulos foi contundente ao criticar a rejeição, classificando o resultado como uma "aliança entre bolsonarismo e chantagem política". Já o Planalto, publicamente, tentou minimizar a derrota, tratando o voto do Senado como um exercício de prerrogativa constitucional, embora internamente a crise seja vista como a mais grave do terceiro mandato. O futuro da vaga no STF A oposição já adiantou que não há clima para a análise de um novo nome antes das eleições de outubro. Lula, por sua vez, sinalizou que não abrirá mão da prerrogativa de indicar um novo ministro nas próximas semanas, mas deve esperar que o cenário político "decante" antes de um novo movimento. Entre as estratégias discutidas por aliados está a indicação de uma mulher negra para emparedar Alcolumbre e a oposição, explorando a fragilidade eleitoral desses grupos junto ao eleitorado feminino. Senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) Edilson Rodrigues/Agência Senado