Megatempestade de neve e gelo ameaça os EUA; temperaturas já chegam a -38ºC
EUA se preparam para forte tempestade de inverno Uma grande tempestade de inverno ameaça cobrir boa parte dos Estados Unidos com uma perigosa mistura de chuva ...
EUA se preparam para forte tempestade de inverno Uma grande tempestade de inverno ameaça cobrir boa parte dos Estados Unidos com uma perigosa mistura de chuva gelada e fortes nevadas, gerando condições "catastróficas" em áreas onde vivem cerca de 160 milhões de pessoas, segundo a France Presse. Neste sábado (24), o Meio-Oeste registrou sensação térmica de até -40°C, o que significa que o congelamento da pele podia ocorrer em até 10 minutos. A temperatura de -38°C registrada em Rhinelander, no estado de Wisconsin, pela manhã, foi a mais baixa em quase 30 anos. As informações são da AP. Vários estados do país declararam estado de emergência diante desta onda ártica que, segundo as previsões, avança da costa da Califórnia por grande parte do território continental, cobrindo o centro do país, incluindo as Montanhas Rochosas e as Grandes Planícies. Um homem carrega baldes de neve no estacionamento da oficina de pneus onde trabalha durante a tempestade de inverno Fern, em Oklahoma City, Oklahoma, EUA, em 24 de janeiro de 2026. REUTERS/Nick Oxford Ela pode provocar um "acúmulo catastrófico de gelo", de acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS, na sigla em inglês), e resultar em "apagões prolongados, danos extensos às árvores e condições de viagem extremamente perigosas ou intransitáveis". Segundo o meteorologista Ryan Maue, "os próximos dez dias de inverno serão os piores em 40 anos nos Estados Unidos". "Pensem para onde podem ir, o que podem fazer e quem precisa de ainda mais ajuda para sobreviver à próxima semana. Não é exagero nem brincadeira", disse ele, que pediu que as pessoas se preparem para temperaturas inferiores a -18°C. Mais de 10 mil voos do fim de semana já foram cancelados. Uma equipe de degelo trabalha durante a tempestade de inverno Fern em uma aeronave da Southwest Airlines no Aeroporto Internacional de Nashville, nos EUA Andrew Nelles/USA Today Network via REUTERS Nesse estado do sul do país, muitos se lembram da calamidade causada por uma tempestade semelhante em fevereiro de 2021, com mais de 200 mortes relacionadas a hipotermia, intoxicação por inalação de monóxido de carbono e acidentes. As autoridades texanas prometeram que a rede elétrica, que falhou imensamente durante aquela tempestade há cinco anos e deixou milhões sem eletricidade, estava preparada desta vez. O governador Greg Abbott disse que "não há nenhuma expectativa de que ocorra um corte de energia na rede elétrica", que "é totalmente capaz de lidar com essa tempestade de inverno". Migrantes bem-vindos Após essa experiência, em Houston, a cidade mais populosa do estado, foram abertos 12 abrigos. "Haverá uma tempestade muito severa que poucos moradores em Houston já vivenciaram [...] Provavelmente 48 horas de temperaturas congelantes", disse nesta sexta-feira o prefeito da cidade, John Withmire, em entrevista à imprensa. Explicou que os abrigos estarão abertos para pessoas e animais de estimação, e que estão à procura de pessoas em situação de rua que dormem sob viadutos. Ademais, em meio às batidas severas contra imigrantes irregulares realizadas pela administração de Donald Trump, o prefeito esclareceu que, embora suas ações estejam em conformidade com a lei, as autoridades usam o bom senso. "Todos são bem-vindos em nossos abrigos, não perguntamos o status legal, isso não faz parte do nosso trabalho, somos compassivos", declarou. Em vários supermercados de Houston, os bens de primeira necessidade estavam acabando rapidamente. No estado de Nova York, a governadora Kathy Hochul alertou para o frio extremo, que poderia tornar perigoso até mesmo os pequenos trajetos ao ar livre. Hochul informou que o estado mobilizou milhares de trabalhadores de serviços públicos, máquinas de remoção de neve e equipes de emergência para manter as estradas liberadas, restabelecer o fornecimento de energia e proteger pessoas em risco. Vórtice polar A ligação entre a mudança climática e as tempestades de inverno – nesse caso, quando o vórtice polar, normalmente confinado ao Polo Norte, se desloca para o sul – não é evidente à primeira vista. No entanto, pesquisadores apontam que o número dessas tempestades vem aumentando nos últimos 20 anos. Isso pode dever-se ao fato de o Ártico estar esquentando em um ritmo superior à média global, um aquecimento desigual que, segundo alguns cientistas, contribui para que o vórtice polar se estenda sobre a América do Norte. Especialistas, no entanto, alertam que não se deve tirar conclusões simplistas que vinculem diretamente esse fenômeno à mudança climática de origem humana.