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Maior chacina do DF: réu diz que era monitorado e acusa vítima de ter ajudado a planejar crime

Gideon Batista de Menezes, um dos réus pela maior chacina da história do DF, durante depoimento Ana Lídia Araújo/g1 O réu Gideon Batista de Menezes afirmou...

Maior chacina do DF: réu diz que era monitorado e acusa vítima de ter ajudado a planejar crime
Maior chacina do DF: réu diz que era monitorado e acusa vítima de ter ajudado a planejar crime (Foto: Reprodução)

Gideon Batista de Menezes, um dos réus pela maior chacina da história do DF, durante depoimento Ana Lídia Araújo/g1 O réu Gideon Batista de Menezes afirmou em interrogatório nesta quarta-feira (15), durante o julgamento da maior chacina da história do DIstrito Federal, que era "constantemente monitorado" e que foi coagido a participar dos crimes. Em depoimento no tribunal do júri, Gideon também afirmou que uma das dez vítimas executadas, Thiago Belchior, participou inicialmente do plano criminoso. ➡️ Thiago Belchior era marido de Elizamar Silva e pai das três crianças mortas no caso. Segundo as investigações, ele foi sequestrado e mantido em cativeiro antes de ser assassinado. ➡️O corpo de Thiago foi encontrado dias depois de a esposa e os três filhos terem sido localizados mortos, carbonizados, dentro de um carro. Julgamento da maior chacina do DF entra no terceiro dia Durante a oitiva, Gideon sustentou a versão de que foi coagido a participar dos crimes. Ele disse que ficava amarrado e só era desamarrado quando precisava executar tarefas. Na versão relatada por Gideon, outro réu também era vítima: Horácio Carlos Ferreira Barbosa. Ao todo, cinco réus estão sendo julgados e devem prestar depoimento a partir desta quarta. Enquanto um fala, os demais não podem acompanhar a sessão. Ao comentar imagens exibidas pela acusação, o réu afirmou que nunca estava sozinho, mesmo quando aparecia dirigindo. Segundo Gideon, Thiago estava no banco de trás, mas não aparece nas imagens porque havia outros objetos na frente. Gideon repetiu mais de uma vez que Thiago era "discreto" e, por isso, não aparecia nas gravações. O réu também afirmou que o adolescente citado no processo participou apenas no início da ação e que, depois, não teve mais contato com ele. Começa no DF julgamento dos acusados de matar dez pessoas da mesma família Veja quem são as dez pessoas da mesma família assassinadas no DF Arte/g1 O que diz a denúncia? A investigação classificou o crime como um "plano cruel e torpe". Segundo o MP do DF, os acusados atuaram de forma coordenada, com funções definidas e uso de violência extrema ao longo de semanas. Veja a ordem cronológica do crime, segundo a denúncia: Outubro de 2022: segundo o Ministério Público, Gideon, Horácio, Fabrício e Carlomam — e também um adolescente — se associam para cometer crimes. 27 de dezembro de 2022: Gideon, Horário e Carlomam, acompanhados de um adolescentente, vão até a chácara e rendem Marcos Antônio Lopes de Oliveira, a esposa dele, Renata Juliene Belchior, e a filha do casal, Gabriela Belchior. Durante a ação, cerca de R$ 49 mil são roubados. As vítimas são levadas para um cativeiro em Planaltina. No local, Marcos é morto e tem o corpo esquartejado por Gideon e Horácio. A partir de 28 de dezembro: Renata e Gabriela permanecem em cativeiro. Fabrício chega ao cativeiro e assume a função de vigilância. Segundo a denúncia, os criminosos passam a usar os celulares das vítimas para enviar mensagens e se passar por elas, mantendo contato com conhecidos e familiares para não levantar suspeitas e preparar novas abordagens. Entre 2 e 4 de janeiro de 2023: Cláudia Regina Marques de Oliveira e a filha, Ana Beatriz Marques de Oliveira, são rendidas na casa onde moravam, no Lago Norte. Elas têm bens roubados, incluindo um carro, e são levadas para o mesmo cativeiro onde estavam Renata e Gabriela. As duas também passam a sofrer ameaças e a ter senhas bancárias exigidas pelos acusados. 12 de janeiro de 2023: Thiago Gabriel Belchior, marido de Elizamar e filho de Marcos e Renata, é atraído até a chácara Quilombo após mensagens enviadas pelos criminosos. Ele é sequestrado com a ajuda de Carlos Henrique Alves da Silva e levado ao cativeiro, onde é mantido sob ameaça. 12 e 13 de janeiro: usando o celular de Thiago, os criminosos entram em contato com Elizamar e a convencem a ir até a chácara Quilombo com os três filhos do casal: Rafael, de 6 anos, Rafaela, 6 anos, e Gabriel, 7 anos. Ao chegar, todos são rendidos e levados até uma rodovia em Cristalina (GO). Segundo o MP do DF, Elizamar e as três crianças são mortas por estrangulamento por Gideon e Horácio, e o carro com os corpos é incendiado. Carlomam acompanhou a ação. 14 de janeiro: Renata e Gabriela Belchior, que estavam em cativeiro desde o início, são levadas até uma rodovia em Unaí (MG). Lá, são mortas por estrangulamento, também por Gideon e Horácio, com Carlomam acompanhando, e têm os corpos queimados dentro de um veículo. Ao saber do assassinato de Renata e Gabriela, Fabrício se desentende com o trio e abandona o plano. 15 de janeiro: sob ordens de Gideon, Horário e Carlomam levam Cláudia, Ana Beatriz e Thiago até uma cisterna próxima ao cativeiro, em Planaltina. Segundo a denúncia, os três são assassinados a golpes de faca, e os corpos são jogados no local e cobertos com terra e cal. 16 de janeiro: após os crimes, parte do grupo tenta destruir provas. De acordo com o MP do DF, objetos do cativeiro são queimados e o local é alterado para dificultar o trabalho da perícia. Entre os crimes apontados na denúncia da Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Planaltina estão: homicídios qualificados: de 12 a 30 anos de prisão; extorsão: quatro a 10 anos de prisão; roubo: quatro a 10 anos de prisão; sequestro: de dois a oito anos de prisão; constrangimento ilegal: de três meses a um ano de prisão; fraude processual: de três meses a dois anos de prisão; corrupção de menores: de um a quatro anos de prisão; ocultação e destruição de cadáver: de um a três anos de prisão. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.