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Maior chacina do DF: réu confessa participação, incrimina outros acusados e diz que queria dinheiro para cirurgia do filho

Fabrício Silva Canhedo, um dos réus da maior chacina do Distrito Federal, chora durante interrogatório Ana Lídia Araújo/g1 Fabrício Silva Canhedo, um dos ...

Maior chacina do DF: réu confessa participação, incrimina outros acusados e diz que queria dinheiro para cirurgia do filho
Maior chacina do DF: réu confessa participação, incrimina outros acusados e diz que queria dinheiro para cirurgia do filho (Foto: Reprodução)

Fabrício Silva Canhedo, um dos réus da maior chacina do Distrito Federal, chora durante interrogatório Ana Lídia Araújo/g1 Fabrício Silva Canhedo, um dos cinco réus da maior chacina do Distrito Federal, confessou durante interrogatório nesta quarta-feira (15) que participou dos crimes que levaram à morte de dez pessoas da mesma família entre 2022 e 2023. Ao longo do interrogatório, ele apontou outros acusados como responsáveis pela liderança do grupo e disse que o plano foi motivado por dinheiro. Fabrício afirmou que se associou a Gideon Batista de Menezes e a Horácio Carlos Ferreira Barbosa para subtrair bens das vítimas. O réu afirmou que aceitou participar porque precisava de dinheiro para uma cirurgia do filho – mas que o plano informado a ele no início não envolvia mortes. Segundo o réu, ele deixou o grupo assim que soube das mortes de Renata e Gabriela. Julgamento da maior chacina do DF entra no terceiro dia Ao final do interrogatório, Fabrício chorou e pediu perdão às famílias das vítimas. Ainda devem depor Carlomam dos Santos Nogueira e Carlos Henrique Alves da Silva. A expectativa é que eles sejam ouvidos nesta quinta-feira (16). O julgamento pode se estender até o fim de semana. Fabrício Silva Canhedo, um dos cinco réus da maior chacina do Distrito Federal, durante interrogatório Ana Lídia Araújo/g1 Liderança do crime De acordo com o réu, a ideia do crime partiu de Gideon – réu que, horas antes, disse ter sido coagido a participar da chacina. “Ele [Gideon] disse que era uma coisa que ia dar muito dinheiro e que o Horácio já tinha topado”, disse Fabrício. ➡️ Mais cedo, durante depoimento, Gideon disse que e e Horácio, outro réu, foram vítimas dos outros acusados. E que uma das vítimas, que morreu e teve a mulher e os três filhos executados, tinha participado do planejamento inicial do crime. Durante o depoimento, Fabrício afirmou que Gideon e Horácio “eram os cabeças” e que comandavam as ações, enquanto Carlomam atuava seguindo ordens. Segundo ele, Carlomam dos Santos Nogueira e Carlos Henrique Alves da Silva entraram depois no grupo. Apesar de admitir participação na associação criminosa, ele negou envolvimento direto nas mortes. Ele afirmou que sua função era cuidar do espaço e fazer comida para as vítimas, que eram mantidas vendadas. Sobre o desenrolar dos crimes, Fabrício disse que não teve contato com Elizamar Silva e os filhos dela. Segundo ele, soube das mortes apenas depois desistiu do plano, pela imprensa. No entanto, ele confessou que voltou ao cativeiro no dia 16 de janeiro a pedido de Horácio, para limpar o local, e disse que não sabia que o objetivo era destruir provas. Começa no DF julgamento dos acusados de matar dez pessoas da mesma família Horácio ficou em silêncio Horácio Carlos Ferreira Barbosa exerceu o direito de permanecer em silêncio e não respondeu às perguntas durante o interrogatório. Em nota, a defesa afirmou que, embora seja “inegável” a ocorrência dos homicídios, não há comprovação da autoria. Segundo o advogado Sandro Soares Santos, a orientação para que o cliente permanecesse em silêncio foi uma estratégia técnica, já que “não cabe à defesa provar a inocência”, mas à acusação demonstrar a culpa com provas robustas. “A dúvida, ainda que mínima, tem que ser usada em benefício do meu ciente”, disse o advogado ao g1. Veja quem são as dez pessoas da mesma família assassinadas no DF Arte/g1 O que diz a denúncia? A investigação classificou o crime como um "plano cruel e torpe". Segundo o MP do DF, os acusados atuaram de forma coordenada, com funções definidas e uso de violência extrema ao longo de semanas. Veja a ordem cronológica do crime, segundo a denúncia: Outubro de 2022: segundo o Ministério Público, Gideon, Horácio, Fabrício e Carlomam — e também um adolescente — se associam para cometer crimes. 27 de dezembro de 2022: Gideon, Horário e Carlomam, acompanhados de um adolescentente, vão até a chácara e rendem Marcos Antônio Lopes de Oliveira, a esposa dele, Renata Juliene Belchior, e a filha do casal, Gabriela Belchior. Durante a ação, cerca de R$ 49 mil são roubados. As vítimas são levadas para um cativeiro em Planaltina. No local, Marcos é morto e tem o corpo esquartejado por Gideon e Horácio. A partir de 28 de dezembro: Renata e Gabriela permanecem em cativeiro. Fabrício chega ao cativeiro e assume a função de vigilância. Segundo a denúncia, os criminosos passam a usar os celulares das vítimas para enviar mensagens e se passar por elas, mantendo contato com conhecidos e familiares para não levantar suspeitas e preparar novas abordagens. Entre 2 e 4 de janeiro de 2023: Cláudia Regina Marques de Oliveira e a filha, Ana Beatriz Marques de Oliveira, são rendidas na casa onde moravam, no Lago Norte. Elas têm bens roubados, incluindo um carro, e são levadas para o mesmo cativeiro onde estavam Renata e Gabriela. As duas também passam a sofrer ameaças e a ter senhas bancárias exigidas pelos acusados. 12 de janeiro de 2023: Thiago Gabriel Belchior, marido de Elizamar e filho de Marcos e Renata, é atraído até a chácara Quilombo após mensagens enviadas pelos criminosos. Ele é sequestrado com a ajuda de Carlos Henrique Alves da Silva e levado ao cativeiro, onde é mantido sob ameaça. 12 e 13 de janeiro: usando o celular de Thiago, os criminosos entram em contato com Elizamar e a convencem a ir até a chácara Quilombo com os três filhos do casal: Rafael, de 6 anos, Rafaela, 6 anos, e Gabriel, 7 anos. Ao chegar, todos são rendidos e levados até uma rodovia em Cristalina (GO). Segundo o MP do DF, Elizamar e as três crianças são mortas por estrangulamento por Gideon e Horácio, e o carro com os corpos é incendiado. Carlomam acompanhou a ação. 14 de janeiro: Renata e Gabriela Belchior, que estavam em cativeiro desde o início, são levadas até uma rodovia em Unaí (MG). Lá, são mortas por estrangulamento, também por Gideon e Horácio, com Carlomam acompanhando, e têm os corpos queimados dentro de um veículo. Ao saber do assassinato de Renata e Gabriela, Fabrício se desentende com o trio e abandona o plano. 15 de janeiro: sob ordens de Gideon, Horário e Carlomam levam Cláudia, Ana Beatriz e Thiago até uma cisterna próxima ao cativeiro, em Planaltina. Segundo a denúncia, os três são assassinados a golpes de faca, e os corpos são jogados no local e cobertos com terra e cal. 16 de janeiro: após os crimes, parte do grupo tenta destruir provas. De acordo com o MP do DF, objetos do cativeiro são queimados e o local é alterado para dificultar o trabalho da perícia. Entre os crimes apontados na denúncia da Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Planaltina estão: homicídios qualificados: de 12 a 30 anos de prisão; extorsão: quatro a 10 anos de prisão; roubo: quatro a 10 anos de prisão; sequestro: de dois a oito anos de prisão; constrangimento ilegal: de três meses a um ano de prisão; fraude processual: de três meses a dois anos de prisão; corrupção de menores: de um a quatro anos de prisão; ocultação e destruição de cadáver: de um a três anos de prisão. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.