Líder supremo interino do Irã, Alireza Arafi estava entre os homens de confiança de Ali Khamenei; saiba quem é
Irã confirma a morte do seu líder supremo, Ali Khamenei O aiatolá Alireza Arafi é, a partir deste domingo (1º), o líder supremo interino do Irã. Ele foi ...
Irã confirma a morte do seu líder supremo, Ali Khamenei O aiatolá Alireza Arafi é, a partir deste domingo (1º), o líder supremo interino do Irã. Ele foi eleito um dia após a morte do aiatolá Ali Khamenei, morto no sábado (28) após um ataque dos EUA. “O Conselho de Discernimento do Interesse do Estado elegeu o aiatolá Alireza Arafi como membro do conselho interino de liderança”, afirmou o porta-voz do conselho, Mohsen Dehnavi, em uma publicação na rede X. Arafi (veja um perfil mais abaixo) ficará à frente do país e foi eleito o chefe do Conselho interino de liderança iraniano, com a tarefa de comandar o processo de escolha de um novo líder supremo. AO VIVO: ACOMPANHE a cobertura sobre o conflito em tempo real Da greve de comerciantes ao ataque dos EUA: relembre a onda de protestos que tomou o Irã Ataque ao Irã: por que EUA e Israel veem oportunidade única em ofensiva neste momento Nova geração de líderes do Irã Nascido em 1959 na histórica cidade de Meybod, na província central iraniana de Yazd, Alireza Arafi tem 67 anos, é um clérigo xiita que nasceu em uma família de religiosos islâmicos. Seu pai, o aiatolá (xeique Haji) Mohammad Ibrahim Arafi, é geralmente retratado na mídia estatal iraniana como alguém próximo ao falecido fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini. Quando a revolução iraniana aconteceu em 1979, Arafi tinha apenas 21 anos e não fez parte da "primeira geração de revolucionários" do país. Seu nome ganhou maior notoriedade após a ascensão de seu antecessor, aiatolá Ali Khamenei, a líder supremo em 1989. Veja uma linha do tempo da sua carreira: 1970 - mudou-se para Qom para aprofundar seus estudos religiosos, iniciados com seu pai em Meybod; 1992 - líder da oração de sexta-feira em sua cidade natal, Meybod; 2008 a 2018 - Presidente da Universidade Al-Mustafa Internacional, em Qom; 2015 - líder da oração de sexta-feira na cidade de Qom; 2016 - chefe de todos os seminários do país; 2019 - nomeado para o Conselho dos Guardiães, composto por 12 membros, o órgão máximo de controle da República Islâmica, capaz de vetar qualquer política governamental ou candidato político. Ao longo da sua carreira, conquistou o título de mujtahid. Isso significa que Arafi é considerado um estudioso islâmico altamente qualificado, com autoridade para interpretar a lei islâmica (Sharia) e deduzir regras jurisprudenciais (fiqh) diretamente das fontes principais, como o Alcorão e a Sunnah. Suas áreas de especialização incluem jurisprudência islâmica (fiqh) e filosofia. Ele é fluente em árabe e inglês. Também é considerado um especialista em tecnologia. Alireza Arafi Mostafa Meraji via Wikimedia Commons Encontro com o Papa Francisco Em maio de 2022, Alireza Arafi se encontrou com o Papa Francisco, no Vaticano, onde transmitiu ao líder da Igreja Católica uma mensagem de Ali Khamenei. Na época, o papa elogiou esforços para aproximar Islã e Cristianismo. O encontro ocorreu durante visita oficial de Arafi à Itália e Vaticano, convidado por centros acadêmicos locais. Khamenei saudou Francisco por seus laços com a América Latina e defesa dos oprimidos, esperando posições firmes sobre Palestina e Iêmen. Francisco retribuiu saudações a Khamenei e autoridades iranianas, concordando com a convergência religiosa. Aiatolá Alireza Arafi em encontro com o papa Francisco em 2022. Vatican Media/Arquivo/Divulgação via REUTERS Ataque dos EUA mira destruir programa nuclear iraniano A escalada militar entre Irã, Estados Unidos e Israel tem como pano de fundo uma disputa antiga: o programa nuclear iraniano. Após semanas de negociações para tentar limitar ou encerrar as atividades do país, americanos e israelenses lançaram neste sábado (28) um ataque coordenado contra o território iraniano. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que o objetivo do ataque é destruir o programa nuclear iraniano e proteger o povo americano de ameaças. "Nós garantiremos que o Irã não terá uma arma nuclear", afirmou. "Sempre foi a política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que este regime terrorista nunca poderá ter uma arma nuclear". E por que Trump considera o programa uma ameaça? O governo iraniano nega ter uma bomba nuclear. No entanto, parte da comunidade internacional, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão responsável pela fiscalização nuclear no mundo, contesta essa versão. Essa é a segunda vez em menos de um ano que os EUA atacam o Irã. Em junho de 2025, uma operação norte-americana bombardeou estruturas nucleares iranianas. A ação ocorreu em apoio a Israel, que travava uma guerra contra o país. O resultado do ataque de nove meses atrás, no entanto, não é claro. Na época, o presidente americano disse que as instalações haviam sido destruídas. Na sequência, Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, disse que os ataques causaram danos graves, embora "não totais".