cover
Tocando Agora:
A RÁDIO CIDADE . TOP - FELIZ 2026!!!

Feijoada combina com vinho?

A harmonização de vinho e comida sempre foi muito eurocêntrica. Se o Pinot Noir é perfeito com o boeuf Bourguignon e o Chianti com a bisteca à Fiorentina, ...

Feijoada combina com vinho?
Feijoada combina com vinho? (Foto: Reprodução)

A harmonização de vinho e comida sempre foi muito eurocêntrica. Se o Pinot Noir é perfeito com o boeuf Bourguignon e o Chianti com a bisteca à Fiorentina, isso se deve ao fato que, historicamente, a produção e o consumo de vinhos eram restritos aos países do Velho Mundo. Portanto, nada mais natural de que a bebida fosse associada aos pratos típicos por aquelas latitudes. Hoje, que a produção vitivinícola se fortaleceu em outros continentes, as possibilidades de harmonização também se ampliaram. E começaram a surgir as perguntas: qual é o melhor vinho para acompanhar uma feijoada? E uma moqueca? Será que galinhada vai bem com tinto ou branco? Acarajé só combina com cerveja gelada ou um espumante vai fazer bonito? E se alguém pode torcer o nariz porque tomar espumante com acarajé parece ser uma coisa desnecessária, está enganado. Primeiro porque está limitando a própria experiência enogastronômica e está deixando de provar novos sabores; e segundo, porque o Brasil hoje se firmou como um dos principais países produtores de ótimos espumantes. Ou seja, o espumante é tão brasileiro quanto o acarajé. Combinar vinhos com pratos brasileiros é um exercício divertido porque nossa culinária é muito diversa — tem desde sabores intensos e gordurosos até pratos leves e frescos. A ideia geral é equilibrar peso, acidez, gordura e intensidade de sabor. Veja a seguir combinações que funcionam muito bem: Feijoada Iribarrem Blanc de Blanc Nature é um espumante encorpado e cremoso. Divulgação. Os vinhos ideais são espumantes secos ou extra brut, pois a gordura e o sal da feijoada pedem vinhos que “limpem” o paladar. Para isso, nada melhor de que borbulhas e alta acidez. Evite rótulos muito pesados ou alcoólicos. O espumante argentino Norton 101 Bubbles Extra Brut é produzido com a uva austríaca Grüner Veltliner e extrasseco. Apresenta aromas frescos que lembram frutas brancas, além de notas cítricas e tropicais. Outra excelente opção é o espumante brasileiro Iribarrem Blanc de Blanc Nature, produzido pelo método champenoise (o mesmo do Champagne) com 18 meses de amadurecimento sur lie na garrafa. É um espumante seco, elegante, com boa estrutura e final persistente, cuja com produção é limitada a apenas 1.000 garrafas. Churrasco A uva Tannat é rica em taninos, substâncias que combinam bem com a gordura da carne. Divulgação. Carnes grelhadas pedem vinhos tintos encorpados, geralmente com pelo menos 12 meses de estágio em barrica. Algumas uvas que se prestam bem a esse envelhecimento e que combinam com carnes são Cabernet Sauvignon, Tannat, Sangiovese e Tempranillo. Essas variedades possuem taninos marcantes que ajudam a equilibrar a gordura da carne. Você pode optar pelo Montes Toscanini Criado en Roble Tannat, um tinto uruguaio complexo e elegante que amadureceu 15 meses em barrica de carvalho francês. Se você gosta de Cabernet Sauvignon, um rótulo de excelente custo-benefício é o Tabali Pedregoso Gran Reserva, um chileno com10 meses de passagem por carvalho e que se destaca pelos taninos sedosos e uma ótima estrutura. A Sangiovese é a uva tinta icônica da Toscana, usada para elaborar os vinhos de Chianti, além dos célebres Brunello di Montalcino e Rosso di Montalcino. Um rótulo de alta gama e boa relação custo-benefício é Rosso di Montalcino Camigliano, perfeito para realçar a suculência da carne. Os melhores Tempranillo da Espanha provêm da Rioja e da Ribera del Duero. Experimente o Petit Vega 28 meses, um vinho espanhol potente e saboroso que estagia por 28 meses em barrica de carvalho francês e passa mais 18 meses em garrafa antes de ser comercializado. Moqueca (baiana ou capixaba) A uva Sauvignon Blanc é fresca e acompanha lindamente peixes e frutos do mar. Divulgação. Os melhores vinhos são brancos aromáticos e tintos leves, de acidez destacada, pois essa característica ajuda a quebrar a gordura do azeite de dendê e do leite de coco, sem brigar com o peixe. Aposte em Sauvignon Blanc do Chile como o Tabali Talinay Sauvignon Blanc, que é um vinho de alta gama, complexo e elegante, do prestigiado Vale do Limarí; ou em Pinot Noir jovens e frescos, como o argentino Norton Select Pinot Noir que possui belos aromas de frutas vermelhas e uma acidez deliciosa. Com moqueca, espumantes brancos e rosés são verdadeiros coringas. A refrescância e as borbulhas limpam a boca após cada garfada. Escolha rótulos mais encorpados, como os espumantes elaborados pelo método tradicional, o mesmo do Champagne. O Cava Don Román Brut é um espumante espanhol seco de excelente custo-benefício, fresco, equilibrado e com boa persistência. Pão de queijo e outros salgados Espumantes produzidos são perfeitos com frituras e salgados. Divulgação. Petiscos à base de queijos e salgados fritos são perfeitos com espumantes Brut bem refrescantes. Escolha rótulos produzidos pelo método Charmat, que são bem aromáticos e fáceis de beber. Experimente o espumante italiano Belvino Grillo Brut, produzido com a uva branca Grillo na região da Sicília, no sul do país, ou o Veuve du Vernay Brut, espumante francês que apresenta belos aromas de frutas, como pêssego e abacaxi. Galinhada Brancos mais encorpados funcionam bem com galinhadas. Divulgação. Os vinhos ideais são brancos de médio corpo, por exemplo, os produzidos com as uvas Chardonnay, Viognier ou Alvarinho, e tintos leves, como os elaborados com Pinot Noir e Merlot. Uma dica de branco é o Criado en Roble Albariño, uruguaio assinado pela premiada vinícola Montes Toscanini: esse rótulo passa por 6 meses de amadurecimento em barricas de carvalho americano sur lie, com bâtonnage frequente – o que aumenta sua complexidade de aromas e sabores. Outro branco perfeito é o Carolina Reserva Chardonnay que fermenta parcialmente em barricas antigas e posteriormente amadurece 6 meses em carvalho francês, para ganhar corpo e complexidade. Que tal acompanhar um prato brasileiro com vinho nacional? O Basco Loco Merlot é um belo rótulo tinto gaúcho com aromas de frutas escuras, como mirtilo e amora, e notas tostadas. Acarajé Brancos e espumantes demi-sec são ideais com acarajé. Divulgação. A iguaria baiana frita e picante pede vinhos brancos aromáticos, refrescantes e de baixo teor alcoólico. Você pode optar por um Vinho Verde, estilo português levemente efervescente, como o Pardalito DOC, que é jovem e fresco. Ou por um Riesling, uva elegante e de boa acidez, que combina muito bem com frituras. O OH01 Riesling Reserva é um rótulo alemão de excelente custo-benefício com aromas de frutas brancas, notas de mel e especiarias. Espumantes nem se fala, eles são perfeitos. O Cava Semi Sec Don Román é uma bela dica, pois além de ter borbulhas que limpam o paladar, possui um leve dulçor para balancear o sabor picante do acarajé. Sobremesas brasileiras O vinho precisa ser mais ou tão doce quanto a sobremesa. Divulgação. Doces como quindim e pudim pedem vinhos tão doces quanto. Você pode optar por espumantes Moscatel para sobremesas à base de leite ou frutas frescas. Já para doces à base de cacau funcionam melhor vinhos do Porto e Madeira, que costuma ter notas de chocolate, caramelo e bala toffee. Um belo espumante nacional é o Viva La Vida Moscatel Rosé, com delicados aromas florais, notas de morangos frescos e muito equilibrado no paladar. Já um vinho doce realmente surpreendente, pouco conhecido e de ótimo custo-benefício, é o Moscatel de Setúbal DOC Adega de Palmela, produzido em Portugal e conhecido como o “sol engarrafado”. BEBA MENOS, BEBA MELHOR.