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Ex-prefeito acusado de estupro foi gravado pela vítima, culpou a bebida e alegou 'química sexual'; entenda

Conheça as propostas do candidato Ademario à Prefeitura de Cubatão Divulgação Uma gravação feita pela servidora pública que acusa o ex-prefeito de Cubat...

Ex-prefeito acusado de estupro foi gravado pela vítima, culpou a bebida e alegou 'química sexual'; entenda
Ex-prefeito acusado de estupro foi gravado pela vítima, culpou a bebida e alegou 'química sexual'; entenda (Foto: Reprodução)

Conheça as propostas do candidato Ademario à Prefeitura de Cubatão Divulgação Uma gravação feita pela servidora pública que acusa o ex-prefeito de Cubatão (SP), Ademário Oliveira, de estupro foi anexada ao processo pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). No áudio, Oliveira atribuiu o episódio ao consumo de bebida alcoólica, além de sugerir uma “química sexual” entre os dois como justificativa para o suposto ato cometido no aniversário da funcionária. O MPSP denunciou Oliveira à 3ª Vara Judicial da cidade. O processo corre sob segredo de Justiça e a vítima não será identificada. A defesa do ex-chefe do Executivo afirma que ele é inocente. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Segundo o Ministério Público, o crime teria ocorrido em outubro de 2020, quando a mulher comemorava seu aniversário em um bar. Na época, Oliveira estava no último ano de seu primeiro mandato. Servidora grava conversa De acordo com o conteúdo anexado à denúncia, Oliveira questionou se o celular da servidora estava desligado e, em seguida, afirmou ter bebido e ficado mais extrovertido. A mulher rebateu dizendo que nunca deu abertura para qualquer aproximação e que ficou preocupada com a situação. Na mesma gravação, o ex-prefeito pede desculpas e admite ter agido com “imprudência". Ele chegou a perguntar se estava “desculpado”, mas a servidora rejeitou o pedido e reforçou que jamais deu entrada para esse tipo de comportamento. A seguir, você confere o diálogo gravado pela servidora — o local, a data e as condições da gravação não foram informados. As falas estão representadas com o emoji (👩) para a vítima e (👨‍💼) para o ex-chefe do Executivo. 👩 Mas o que aconteceu naquele dia lá? Você meio que me empurrou para dentro do banheiro, eu fiquei assustada. Eu falei: "Meu Deus do céu, tipo..." 👨‍💼 Tá desligado o celular? 👩 Tá, tá desligado. 👨‍💼 Ah, eu acho que foi ali, sei lá... No momento em que você tem uma admiração e aí acha que bebe... 👩 Eu fiquei assustada porque, né? Por causa do (nome preservado). Tava todo mundo ali, eu nunca dei entrada. Eu fiquei preocupada, eu falei: "Meu Deus do céu, tipo, nunca..." 👨‍💼 É, de fato, eu acho que eu fui... Eu peço desculpa pela postura, mas falei: "De fato, eu acho que vou ser (inaudível)". 👩 Fiquei assustada. Confesso que eu, tipo, não tô acostumada com esse tipo de... Como que eu posso dizer? Sei lá, né? Tipo assim, eu sempre trabalhei com homem, então nunca tive isso... 👨‍💼 É, de fato... 👨‍💼 Mas, de fato, a bebida tem esse papel de te deixar mais solto. Eu sou muito, eu diria, introvertido, e te deixa mais extrovertido. Aí junta com a química sexual. Mas, graças a Deus, você foi prudente. 👩 É, eu empurrei porque, tipo, né? Nada do meu perfil ficar recebendo esse tipo de ação, sabe? Meio complicado. 👨‍💼 Foi, acho que foi... Eu diria: imprudência. 👨‍💼 Mas eu estou desculpado? 👩 Oi? 👨‍💼 Mas eu estou desculpado? 👩 É... Não está desculpado, porque não é... Porque nunca te dei entrada. Denúncia do MPSP De acordo com o relato enviado à 3ª Vara Judicial da cidade, Oliveira “constrangeu, mediante violência, a vítima [...] a permitir que ele praticasse com ela ato libidinoso diverso da conjunção carnal”. O documento descreve que, em certo momento da festa, o acusado aguardava para usar o banheiro e viu a vítima saindo de uma das cabines. “Aproveitando-se da situação, o denunciado [Oliveira] empurrou bruscamente a ofendida para dentro da cabine e, com o uso de força física, levantou o vestido da vítima e passou a acariciar seus seios, pernas e nádegas, tudo contra a vontade da ofendida". Ainda conforme a denúncia do MPSP, para se desvencilhar, a mulher “teve que utilizar força física”. O que diz a defesa de Oliveira? Em nota, o escritório Octavio Rolim Advogados Associados, que representa o ex-prefeito, informou que as declarações seriam prestadas “com a devida cautela e reserva”, em razão do segredo judicial. “Em que pese a denúncia oferecida pelo Ministério Público, é fundamental destacar que, ao final das investigações conduzidas pela Polícia Civil [...], não houve o indiciamento de nosso cliente”. A defesa afirmou que o julgamento da questão caberá à Justiça e declarou: "Desde já, afirmamos de forma categórica e inequívoca a inocência de Ademário”. Também ressaltou que “os fatos objeto da denúncia datam do ano de 2020, tendo sido levados ao conhecimento das autoridades competentes somente em 2025, circunstância que será devidamente esclarecida no curso do processo”. Crime de estupro Pela lei brasileira, desde 2009 não é necessária penetração para que um ato seja considerado estupro. A pena varia de seis meses a dez anos de prisão e pode ser aumentada em até 50% quando o agressor ocupa posição de autoridade sobre a vítima, como no caso de um empregador. Importunação sexual: o que é e como denunciar? Violência contra mulher: como pedir ajuda VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos