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Estudante de Ribeirão Preto gabarita questões de matemática no Enem e conquista vaga na USP: 'Não me cansava estudando'

Mateus Afonso Alves gabaritou matemática no Enem, em Ribeirão, SP Relação próxima com matemática, apoio dos amigos e prática das questões 'modelo Enem'....

Estudante de Ribeirão Preto gabarita questões de matemática no Enem e conquista vaga na USP: 'Não me cansava estudando'
Estudante de Ribeirão Preto gabarita questões de matemática no Enem e conquista vaga na USP: 'Não me cansava estudando' (Foto: Reprodução)

Mateus Afonso Alves gabaritou matemática no Enem, em Ribeirão, SP Relação próxima com matemática, apoio dos amigos e prática das questões 'modelo Enem'. Foi esse o caminho que levou um jovem de 18 anos, que estuda em Ribeirão Preto (SP), a acertar todas as 45 questões de matemática no Exame Nacional do Ensino Médios (Enem) 2025. Ao alcançar 100% de aproveitamento na disciplina, consequentemente Mateus Afonso Alves gabaritou 50% do segundo dia de prova em novembro do ano passado. Isso porque, das 90 questões focadas nas áreas de exatas e biológicas, metade são de matemática e exploram habilidades como raciocínio lógico e interpretação. A facilidade em fazer contas vem desde que o jovem era criança. Ao g1, ele contou que a família teve um papel importante para ele ter tanta afinidade com as ciências exatas e estudar matemática sempre pareceu mais fácil. Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp "Minha mãe fala que ela sempre gostou, então acho que, desde pequeno, sempre tive uma aptidão maior pelas exatas em geral, o que fez até eu gostar mais de estudar. Eu não me cansava tanto estudando matemática". Em 2024, Mateus prestou o Enem como treineiro, mas foi no ano passado que, pela primeira vez, fez a prova pra valer. LEIA TAMBÉM: Filho de faxineira e sapateiro, jovem consegue vaga em medicina na USP, Unicamp e Unesp Quatro alunos da mesma escola pública no interior de SP garantem vaga em medicina na USP O estudante confessa que ficou surpreso com o ótimo resultado em matemática, porque nunca tinha gabaritado a disciplina nem em simulados, nem na edição anterior do exame. "Acho que esperar [gabaritar] não dá pra esperar. Mas, pelos resultados que eu tinha nos simulados, sabia que era possível e acabou que me dediquei durante a prova pra tentar fazer o mais possível e acabou dando certo". Mateus Afonso Alves, de Ribeirão Preto (SP), gabaritou em matemática no Enem 2025 Murilo Corazza/g1 Ao gabaritar a prova, Mateus ainda conseguiu uma vaga não só no curso, mas na universidade dos sonhos também. Matriculado em Engenharia Mecânica na Universidade de São Paulo (USP), o aluno comemora a conquista pelo resultado da nota do Enem na categoria ampla concorrência. Natural de Araxá (MG), Mateus se mudou para Ribeirão Preto em 2024 para estudar na Escola SEB Lafaiete, uma unidade de ensino particular no Centro da cidade. "Fui pra Ribeirão Preto fazer o segundo e terceiro colegial. O meu interesse inicial era pela Engenharia Mecânica e eu queria especificamente na USP". Aluno chamou a atenção de professores logo nas primeiras aulas Desde o começo, o sonho de Mateus era compatível ao desempenho dele e o comportamento do aluno chamou a atenção dos docentes desde as primeiras aulas. Daniel Lima, um dos professores de matemática, conta que Mateus era a aposta de gabarito. "Ele fazia perguntas diferenciadas. Fui entender com os amigos dele se era sorte ou se o Mateus realmente entendia o raciocínio". Daniel diz que não se surpreendeu com o desempenho de Mateus no Enem e acreditava que o aluno acertaria todas as questões pela preparação que teve ao longo de 2025. Mateus Afonso Alves, de Ribeirão Preto (SP), gabaritou em matemática no Enem 2025 Murilo Corazza/g1 Mateus manteve uma rotina de estudos integral para se dar bem no Enem, com aulas das 7h às 15h20 e depois estudando por conta própria na escola até 19h. "Eu tirava normalmente um descanso rápido e ficava na escola estudando até às 19h. Voltava pra casa, preparava o jantar, tomava banho e, se sobrasse alguma coisa, acabava de estudar um pouco para depois dormir." No período, o estudante revela que se apoiou na relação com os amigos. Para ele, as amizades facilitavam o processo. "Era uma relação de ajuda mútua. Eu ajudava muito eles quando eles me pediam ajuda e eles me ajudavam quando eu tinha dificuldades. Então, acabava que a gente compartilhava muita informação. Me ajudou muito, porque tem muita coisa que a gente não sabe fazer e a pessoa do lado acha fácil." Estratégia de aula e paixão pela matemática Também professor de Mateus, Jefferson Petronilho desenvolveu uma aula especial para os alunos da turma: durante os 50 minutos de aula, os estudantes faziam dez questões aleatórias do exame e na sequência, Jefferson resolvia os cálculos na lousa. "Eu os deixava 25 minutos tentando resolver as dez questões. São dois minutos e meio por questão, estou apertando para fazerem o mais rápido possível. Expliquei várias vezes que não precisa começar do primeiro, pode começar de qualquer um que tenham mais habilidade." Outro professora da turma, Frederico Braga explica que a didática do docente é a chave para prender a atenção e busca se aproximar dos alunos para conquistar respeito e interesse. "A matemática tem o estigma de ser muito difícil, pouco atraente. Mas é o contrário. Matemática não é conta, é raciocínio lógico. Então, quanto mais próximo você for do teu aluno, mais do lado dele você estiver, mais próximo dele você ganha." Para Frederico, a partir da construção deste laço, é possível ver a evolução dos alunos. "Costumo dizer que não adianta saber tudo do que todo mundo sabe. A gente tem que ter um diferencial. Tento trazer problemas diferentes, que sejam do cotidiano do vestibular que ele vai prestar." Professores de matemática de aluno que gabaritou a disciplina no ENEM, em Ribeirão Preto (SP) Murilo Corazza Professores apostam em questões 'modelo Enem' Desde 2009, após a criação do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a nota obtida pelo Enem é o caminho para estudantes do Brasil inteiro ingressarem em universidades públicas e privadas. Segundo Jefferson, após 16 anos do modelo de prova aplicado, os professores que preparam os alunos já tem familiaridade com o tipo de questão exigido. "A prova do ano passado foi muito típica, esperada. Hoje o Enem já tem um padrão de prova na área da matemática, então todo ano a gente espera que a prova tenha aquelas quatro questões de estatística, 15 que envolvam gráfico ou tabela com porcentagem, a gente espera que tenha álgebra, geometria e questões de cálculo de área e volume. Fazemos uma super preparação para essa prova para deixar nossos alunos muito bem preparados". Mateus aproveitou os padrões da prova e dedicou o tempo de estudo resolvendo questões de edições passadas. "O que ajuda muito é que, aqui na escola, a gente faz muita questão da prova, então está acostumado mais com o padrão. No final de semana, a gente sempre fazia simulados que ajudavam a treinar o tempo de prova". Apesar de compreender a estrutura do Enem muito bem, alguns detalhes na hora de resolver as questões podem atrapalhar a seleção da alternativa correta. Jefferson explica que o resultado do Mateus é um feito fora da curva. "Muitos alunos aqui da escola tinham bagagem para também acertar todas, mas por um deslize ou outro, de repente acertou 44, 43, 42, 41 40. Isso não deixa de ser um mega desempenho, mas o Mateus foi muito feliz em ter conseguido acertar todas usando o conhecimento que ele tinha. A habilidade, o sangue frio, principalmente." Para Daniel Lima, manter o foco durante a prova é o principal desafio. "O aluno acerta a primeira, segunda, terceira questão. Lá pro meio da prova, ele já está 'grandão' e isso o faz cometer erros bobos. Quando você vai ver, o aluno perdeu a questão por uma conta simples". Outro desafio, explicam os professores, é a extensão da prova. Para Jefferson, apenas o conhecimento teórico de Mateus, por exemplo, não seria suficiente se não houvesse técnica. "Mateus sempre foi um aluno muito técnico, matematicamente falando, um menino que com certeza desde pequeno gosta de matemática. Mas para esse perfil de prova, a habilidade técnica não era 100% utilizada, porque o Enem é uma prova muito de leitura, de interpretação, de gráfico, de tabela, de texto. Tem exercícios que é praticamente uma página inteira. Então, acredito que ele foi melhorando, desenvolvendo, treinando semanalmente os exercícios que nós chamamos de modelo Enem." Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região