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Estudante autista que tirou 900 na redação do Enem conciliava estudo com artesanato

Estudante Thalita Silva, de 18 anos, tirou 900 na redação do Enem 2025 Cedida A estudante Thalita Silva, de 18 anos, tirou 900 pontos na redação do Exame Na...

Estudante autista que tirou 900 na redação do Enem conciliava estudo com artesanato
Estudante autista que tirou 900 na redação do Enem conciliava estudo com artesanato (Foto: Reprodução)

Estudante Thalita Silva, de 18 anos, tirou 900 na redação do Enem 2025 Cedida A estudante Thalita Silva, de 18 anos, tirou 900 pontos na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 e contou ao g1 como se preparou ao longo do ano para as provas. Diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a jovem conseguiu conciliar uma rotina constante de estudos com a confecção de bichinhos de pelúcia de crochê. O artesanato entrou na vida da Thalita como terapia para ajudar no tratamento do autismo. O crochê virou paixão, renda e parte da vida. Ao longo de 2025, ela dividiu o tempo em concluiu o ensino médio, fazer os bichinhos de pelúcia e as aulas em um cursinho preparatório para o Enem. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Ela contou que ficou muito emocionada ao receber a nota e que sonha em cursar psicologia na Universidade Federal do Acre (Ufac). “Fiquei muito feliz. Estudava bastante e, quando saiu o resultado, foi uma alegria enorme. Sonho em cursar psicologia desde pequena. A terapia foi muito importante para que eu alcançasse meu potencial e para a minha autoestima, e quero proporcionar isso para outras pessoas”, afirmou. No dia do exame, Thalita solicitou atendimento especializado e teve direito a tempo adicional para fazer a prova. Thalita começou a fazer crochê para ajudar no tratamento do autismo e acabou descobrindo um dom Arquivo pessoal Rotina de estudo A rotina de estudo da jovem foi dividida da seguinte forma: aulas do ensino médio pela manhã, artesanato e atendimento aos clientes à tarde e à noite cursinho preparatório para o Enem. Essa rotina era seguida de segunda a sexta. Aos sábados, Thalita se dedicava a fazer simulados ou participava de aulões no cursinho. O descanso era apenas aos domingos. Thalita faz bichinhos de pelúcia de crochê para vender Arquivo pessoal Apesar de gostar de escrever, ela diz que sempre teve mais afinidade com a área de humanas. Ainda assim, manteve uma disciplina rígida na preparação para a redação. “Eu treinava toda semana, fazendo temas em casa e também era acompanhada em um cursinho gratuito da Ufac, o MedAprova, que foi essencial nesse processo”, explicou. LEIA MAIS Estudante do AC que fez Enem na mesma sala da mãe tira 960 na redação: 'Gratificante' Vestibular de Medicina da Ufac registra mais de 1,9 mil faltosos Thalita também destacou que o hábito da leitura foi fundamental para o seu bom desempenho. De acordo ela, ler muitos livros contribuiu para uma maior afinidade com a escrita e para o desenvolvimento de um vocabulário mais formal. Apesar de não saber se conseguirá a vaga logo na primeira chamada, Thalita disse ainda que não pretende desistir. “Vou insistir nas chamadas da Ufac e, se for preciso, tentar uma bolsa. Não penso em desistir”, concluiu. Estudantes fazem 2º dia de Enem em Rio Branco Emoção A mãe da estudante, Janaina Duarte da Silva, de 43 anos, disse ao g1 que a família recebeu com muita emoção a nota de Thalita. Segundo ela, o resultado confirmou tudo o que já acreditava sobre a dedicação da filha ao longo dos estudos. “Fiquei muito feliz, tinha certeza de que ela ia conseguir. Meu marido estava no trabalho quando soube da nota, mas ficou tão eufórico que saiu ligando para todo mundo para contar a novidade”, relatou. Estudante Thalita Silva, de 18 anos, tirou 900 na redação do Enem 2025 Cedida Janaina explicou também que a trajetória da filha até esse resultado foi marcada por muitas dificuldades. O diagnóstico de TEA da Thalita veio em julho de 2022, o que fez com que, por muitos anos, ela enfrentasse falta de compreensão no ambiente escolar. “Ela sofreu muito bullying, rejeição de colegas e a gente nunca teve apoio nas escolas por onde passou. Foi tudo sempre muito difícil”, disse. De acordo com a mãe, a realidade começou a mudar quando Thalita passou a estudar na Escola Glória Perez, onde encontrou acolhimento e o suporte pedagógico que necessitava. ''Lá, ela foi acolhida pelo que é e sem distinções. Isso mudou tudo. Ela passou a se enxergar melhor e não mais como as coisas ruins que as pessoas a chamavam antes'', completou. Reveja os telejornais do Acre