Empresa dona de helicóptero usado por Bacellar, que esteve em nome de faxineira, investe milhões em terrenos em condomínio de luxo
Empresa dona de helicóptero usado por Bacellar, que esteve em nome de faxineira, investe milhões em terrenos em condomínio de luxo A Gigante Empreendimentos ...
Empresa dona de helicóptero usado por Bacellar, que esteve em nome de faxineira, investe milhões em terrenos em condomínio de luxo A Gigante Empreendimentos Imobiliários, empresa dona do helicóptero usado pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) em viagens oficiais quando ele exercia o cargo de governador em exercício, acumulou um patrimônio milionário no estado do Rio de Janeiro. Só em 2025, a empresa gastou cerca de R$ 25 milhões na compra de terrenos, incluindo unidades à beira-mar em um condomínio de alto padrão. Entre os investimentos estão três terrenos em um dos condomínios mais luxuosos de Mangaratiba, na Costa Verde, e outro terreno próximo à praia em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos. Juntos, os imóveis somam mais de 3.700 metros quadrados e ficam em áreas valorizadas do litoral fluminense. A empresa ganhou notoriedade no mês passado, quando o RJ2 revelou que Bacellar utilizou um helicóptero particular da Gigante Empreendimentos em compromissos oficiais. O Código de Conduta do Estado proíbe que governadores recebam transporte ou favores de particulares. Para o especialista em direito público Luís Vale, esse tipo de situação pode configurar conflito de interesses. “Todo agente público deve se pautar nos interesses da coletividade. Não devem se sobressair interesses individuais ou pessoais. Esse distanciamento é salutar justamente para que não se confundam interesses públicos com interesses privados”, afirma. Apesar do patrimônio elevado, a estrutura da empresa levanta questionamentos. Criada em 2021, em São Paulo, com capital social de R$ 500 mil, a Gigante Empreendimentos estava registrada em nome de Monaliza Santos de Vasconcelos, uma faxineira beneficiária do Bolsa Família. O endereço comercial declarado era uma sala vazia em um prédio na zona norte da capital paulista. Após a divulgação das reportagens, a empresa registrou uma mudança na administração. Monaliza deixou o quadro societário e deu lugar ao advogado Daniel Tadeu Costa da Rocha. Procurado pela reportagem em São Paulo, ele não respondeu aos questionamentos. Além do setor imobiliário, a ficha cadastral da empresa na Receita Federal aponta a extração de minerais como uma das principais atividades econômicas. Em Itupeva, no interior de São Paulo, foram encontradas escavações e máquinas associadas a esse tipo de operação. Em Mangaratiba, a Gigante adquiriu, em abril do ano passado, três terrenos à beira-mar por R$ 12 milhões. A escritura indica que a compra foi feita quando Monaliza ainda era a única sócia da empresa. A vendedora foi uma empresa ligada ao empresário Miguel Iskin, preso três vezes entre 2017 e 2020 em investigações sobre corrupção na área da saúde durante o governo Sérgio Cabral. Já em setembro do ano passado, a empresa comprou um terreno em Arraial do Cabo por R$ 13 milhões, ampliando ainda mais o patrimônio no estado. Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, não respondeu se pagou pelo uso do helicóptero nem informou o valor das viagens. A aeronave é operada por outra empresa, a Go Faster, que tem entre os sócios Edson Martins Lopes Júnior, sogro do ex-deputado Marco Antônio Cabral, que até a semana passada ocupava um cargo na presidência da Alerj. Para Luís Vale, a falta de explicações compromete a transparência. “Transparência e publicidade são elementos centrais da atuação do poder público. Todo agente público deve agir de forma transparente para que a sociedade possa exercer o controle e garantir que o poder público haja de forma moral e ética”, diz. Até a publicação desta reportagem, Bacellar não havia se manifestado sobre o caso. O que dizem os citados O governo do Rio não informou se abriu ou não um processo para apurar a conduta de Rodrigo Bacellar durante o período em que ele atuou como governador em exercício. A Ispar Iskin Participações declarou que a venda dos imóveis em Mangaratiba ocorreu de forma regular e de acordo com a lei. Após a exibição da reportagem, o advogado Daniel Tadeu Costa da Rocha — que havia desligado o telefone durante a ligação do repórter — afirmou que não conhece nem mantém qualquer relação com Rodrigo Bacellar. Segundo ele, a Gigante Empreendimentos Imobiliários exerce suas atividades cumprindo todos os requisitos legais. A reportagem não conseguiu contato com a antiga dona da empresa, Monaliza Santos de Vasconcelos.