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Dobra na orelha: após morte de influenciador, médicos explicam qual a relação do 'sinal de Frank' com risco de infarto

Detalhe da imagem de marca semelhante ao sinal de Frank na orelha de Henrique Maderite Reprodução/Redes Sociais Uma dobra diagonal no lóbulo da orelha, conhe...

Dobra na orelha: após morte de influenciador, médicos explicam qual a relação do 'sinal de Frank' com risco de infarto
Dobra na orelha: após morte de influenciador, médicos explicam qual a relação do 'sinal de Frank' com risco de infarto (Foto: Reprodução)

Detalhe da imagem de marca semelhante ao sinal de Frank na orelha de Henrique Maderite Reprodução/Redes Sociais Uma dobra diagonal no lóbulo da orelha, conhecida como “sinal de Frank”, pode indicar maior risco de problemas cardíacos, segundo pesquisas médicas que associam essa marca ao envelhecimento precoce das artérias. O tema ganhou atenção após a morte do empresário e influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, , por um infarto fulminante; ele apresentava uma dobra semelhante nas orelhas (veja na foto acima). ⚠️ Importante: o sinal não é um diagnóstico, mas um possível sinal de alerta que deve ser avaliado junto com outros fatores de risco. À primeira vista, a ruga que atravessa o lóbulo da orelha em diagonal, de cima para baixo, pode parecer apenas um traço pessoal sem importância. Mas médicos estudam há décadas se essa marca pode funcionar como um alerta visível para risco aumentado de doença nas artérias do coração. O sinal foi descrito pela primeira vez em 1973 pelo médico norte-americano Sanders Frank, em um artigo na revista científica "New England Journal of Medicine", após a observação de 20 pacientes com doença coronariana que apresentavam a dobra na orelha. A maioria deles também tinha fatores de risco cardiovasculares. Desde então, pesquisas investigam a possível relação entre a prega no lóbulo e a aterosclerose, condição em que placas de gordura, colesterol e outras substâncias se acumulam nas paredes das artérias e aumentam o risco de infarto e outras complicações cardíacas. Influenciador Henrique Maderite, do bordão 'sexta-feira, papai', é achado morto em MG Estudo brasileiro sobre o sinal de Frank Um estudo da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) analisou a associação entre alterações dermatológicas — especialmente a prega diagonal no lóbulo da orelha (sinal de Frank) e a prega pré-auricular — e a presença de doença arterial coronariana em homens submetidos a exames cardíacos. Os pesquisadores conduziram uma pesquisa com 110 homens submetidos à cineangiocoronariografia (técnica que visualiza as artérias coronárias) entre 2004 e 2005 e concluíram que a prega diagonal no lóbulo apareceu em 60% dos pacientes com doença coronariana, contra 30% no grupo controle. Além disso, quando as duas pregas apareciam juntas, o valor preditivo positivo chegou a 90% para doença coronariana. Os autores destacaram que o mecanismo ainda não está totalmente esclarecido e uma hipótese é que alterações microvasculares e perda de elasticidade da pele estão relacionadas à aterosclerose. (Abaixo, veja o sinal de Frank em idoso em um estudo de caso relatado na revista Cureus Journal of Medical Science) Sinal de Frank em orelha de idoso: imagem é parte de um relato de caso na Cureus Journal of Medical Science Cureus/Divulgação Sinal é visto como alerta por cardiologista Dificilmente as pessoas nascem com esse sinal. Na maioria das vezes, o paciente desenvolve essa prega ao longo da vida. E, quando ela aparece, geralmente surge dos dois lados. Segundo o cardiologista da Unidade de Hipertensão do Incor da Faculdade de Medicina da USP João Vicente da Silveira, o sinal está relacionado com o envelhecimento vascular e quando ele surge em jovens adultos, os médicos se preocupam um pouco mais. “É um sinal, um alerta, uma pista. Uma luz vermelha que acendeu e apagou. Não necessariamente ele está com as artérias coronárias obstruídas e vai ter um infarto, mas é um alerta para o médico ficar atento e fazer exames mais específicos. E o contexto global precisa ser avaliado, como a história familiar e os fatores de risco”, diz Silveira. Entre os fatores, estão: pressão arterial, níveis de glicemia, colesterol, tabagismo, obesidade, uso frequente de bebida alcoólica – o que também altera a pressão arterial - e sedentarismo. Influenciador Henrique Maderite Reprodução O médico explica que se o paciente é um adulto jovem e tem o sinal de Frank, provavelmente ele está obeso, bebe muito álcool, fuma, tem colesterol alto triglicerídeos altos ou níveis altos de açúcar no sangue. “É praticamente impossível um paciente de 30 anos ter esse sinal e ter uma saúde totalmente normal. Isso é um sinal de envelhecimento das artérias e de que ele não está se cuidando”, diz Silveira. O médico destaca ainda que o lóbulo da orelha tem microartérias e essa prega está relacionada a uma desorganização das células de colágeno que dão uma elasticidade nas artérias. E quando as artérias perdem a elasticidade, elas ficam endurecidas, podendo causar entupimento e, consequentemente, problemas como infarto e AVC. O paciente com esse vinco no lóbulo da orelha e que apresenta fatores de risco para problemas cardíacos tem mais chances de problemas cardíacos e precisa ficar mais atento e se cuidar com urgência, destaca Silveira. Nestes casos, além da medição da pressão arterial, costumam ser solicitados exames como ecocardiograma, teste ergométrico, avaliação dos níveis de colesterol e até mesmo angiotomografia das coronárias e cateterismo. Se o cateterismo indicar entupimento das artérias, pode ser necessária a colocação de um ou mais stents – molas introduzidas nas artérias que permitem a passagem do sangue onde havia gordura – além de tratamento com medicação oral e monitoramento constante. Henrique Maderite e o 'sexta-feira, papai!': relembre o bordão que viralizou