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Dirigentes dos principais BCs do mundo divulgam nota conjunta em apoio a Jerome Powell

Dirigentes dos principais BCs do mundo divulgam nota conjunta em apoio a Jerome Powell Dirigentes dos principais bancos centrais do mundo divulgaram uma nota co...

Dirigentes dos principais BCs do mundo divulgam nota conjunta em apoio a Jerome Powell
Dirigentes dos principais BCs do mundo divulgam nota conjunta em apoio a Jerome Powell (Foto: Reprodução)

Dirigentes dos principais BCs do mundo divulgam nota conjunta em apoio a Jerome Powell Dirigentes dos principais bancos centrais do mundo divulgaram uma nota conjunta em apoio ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. O documento é uma reação à pressão inédita que Powell está sofrendo de Donald Trump para baixar à força a taxa de juros dos Estados Unidos. A pressão da Casa Branca sobre o Banco Central americano, nunca antes vista na história dos Estados Unidos, fez soar um alarme em todo o planeta. Nesta terça-feira (13), o presidente da instituição, Jerome Powel, recebeu apoio em escala global. Assinam a carta a presidente do Banco Central Europeu, Cristine Lagarde, e seus colegas do Reino Unido, Suécia, Dinamarca, Suíça, Brasil, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, além de outras organizações financeiras do mundo. "Manifestamos nossa total solidariedade ao Federal Reserve e ao presidente, Jerome Powell". "A independência dos bancos centrais é um pilar fundamental para a estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos a que servimos. Por isso é crucial preservar essa independência com pleno respeito ao estado de direito e à responsabilidade democrática. O presidente Powell tem atuado com integridade, focado em seu mandato e com um compromisso inabalável com o interesse público. Para nós, ele é um colega respeitado altamente reconhecido por todos que trabalham com ele". Na segunda-feira (12), Jerome Powel já tinha recebido um apoio de peso, de ex-presidentes do Fed, ex-secretários do tesouro dos Estados Unidos e economistas. Foi uma resposta à notícia que veio à tona no fim de semana. O Departamento de Justiça americano notificou Jerome Powell de que ele estava sendo processado, acusado de má administração de uma reforma dos prédios do Federal Reserve e de mentir ao Congresso ao prestar contas. A ação criminal foi vista como uma tentativa clara de interferência sem precedentes contra um dos bancos centrais mais tradicionais do mundo. Com 102 anos de história, o Fed tem uma reputação sólida de independência que inspirou outros países. Uma eventual perda de credibilidade do banco pode significar ainda mais inflação. Além de menos confiança na moeda americana, que é a referência no mundo, como explica o ex-presidente do Banco Central brasileiro e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. "Isso seria um péssimo exemplo, na maior economia do mundo. Diminui a credibilidade da política do Banco Central da maior economia do mundo. E essa economia interage, evidentemente, com todos os países. No momento em que a economia americana entrasse no desarranjo, isso também teria um efeito negativo direto para todos a economia do mundo, inclusive do Brasil", diz Meirelles. O professor de política pública e economia da Universidade do Michigan, Justin Wolfers, disse que a ofensiva do governo é escandalosa. E lembrou que um dos pilares da riqueza de um país são as instituições econômicas sólidas e confiáveis. Trump tem pressionado Powell a cortar as taxas desde o início do governo, em forma de ofensas pessoais. Chegou a chamá-lo de burro e de teimoso. Powell, que sempre evitou reagir publicamente, reagiu no domingo. Em uma rara mensagem de vídeo, acusou diretamente o governo de tentar usar a investigação como pretexto para pressionar, ameaçar e intimidar o Banco Central. Mas a carta de presidentes de BCs de todo o mundo parece não ter abalado Donald Trump. “Ele estourou o orçamento da reforma do Fed em bilhões de dólares. Então ou ele é incompetente ou desonesto, mas certamente não está fazendo um bom trabalho". A inflação em 2025 - divulgada nesta terça-feira (13) - ficou em 2,7% - acima da meta do Fed, que é de 2%. Um dos papéis do Banco Central é segurar a inflação. E a arma que ele tem pra isso é a taxa de juros. Quando os preços estão altos, o Banco Central sobe a taxa de juros. O que torna qualquer empréstimo mais caro. Isso faz com que tenha menos dinheiro circulando e menos gente consumindo. O cenário econômico nos Estados Unidos foi marcado por turbulências em 2025. A guerra comercial declarada por Trump contra o mundo inteiro tornou ainda mais difícil o trabalho do Banco Central de avaliar o futuro da economia. Desde setembro, o Fed cortou três vezes os juros, mas num ritmo menor do que Donald Trump queria. Foi o próprio Trump que nomeou Jerome Powell para presidir o Fed ainda no primeiro mandato. Ele assumiu em 2018. A gestão dele à frente do Banco Central americano termina em maio, quando Trump poderá nomear um novo presidente . Mas já começou a enfrentar fogo amigo dentro do próprio partido. Por desaprovar a escalada da ofensiva contra Powell, parlamentares republicanos indicaram que podem não dar sinal verde para o novo nome indicado por Trump.