Como o RN se tornou referência nacional em energia limpa; 98% da produção do estado vem de fontes renováveis
Como o RN se tornou referência nacional em energia limpa O Rio Grande do Norte se consolidou como referência nacional na produção de energia limpa. Segundo ...
Como o RN se tornou referência nacional em energia limpa O Rio Grande do Norte se consolidou como referência nacional na produção de energia limpa. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), 98% da energia gerada no estado vem de fontes renováveis. A matriz elétrica potiguar é liderada pela energia eólica, com 85,34% da produção, seguida pela solar (12,27%). As termelétricas somam 2,36% — entre fontes fósseis (1,86%) e biomassa (0,49%) —, enquanto as pequenas hidrelétricas representam 0,04%. Sozinho, o Rio Grande do Norte responde por 30% de toda a produção de energia eólica do país, segundo dados de janeiro da Aneel. O estado fica atrás apenas da Bahia, que produz 34% e tem território cerca de dez vezes maior. 📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsApp Pelas estradas do estado, é possível ver torres eólicas em empreendimentos espalhados pelo interior e pelo litoral. O Rio Grande do Norte também se prepara para gerar energia eólica no mar (veja mais abaixo). Os primeiros parques eólicos do Rio Grande do Norte começaram a operar há 20 anos. Qualidade dos ventos Segundo especialistas, um dos principais motivos para o sucesso do estado nesse tipo de empreendimento é a qualidade dos ventos. Para Rodrigo Mello, diretor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Rio Grande do Norte (Senai-RN) e do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), o estado tem “os melhores ventos do Brasil”. "O grande destaque do Rio Grande do Norte na produção de energia eólica é por conta da qualidade dos ventos que nós temos. Por isso, mesmo sendo um território muito pequeno, houve uma concentração importante de geração aqui", reforçou. Parque Eólico no Rio Grande do Norte Sandro Menezes O professor Pedro Mutti, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), doutor em Ciências Climáticas e Geografia, explicou que os ventos chegam ao estado sem barreiras, o que favorece a produção de energia eólica. "O RN encontra-se na trajetória dos chamados ventos alísios, que sopram constantemente nas regiões tropicais em direção ao Equador e penetram sobre o continente sem praticamente nenhuma barreira geográfica marcante", explicou. Segundo o professor, a produção de energia renovável beneficia não só o estado, mas todo o país, já que o sistema elétrico nacional é interligado. Energia solar: 2ª maior fonte, mas com limite territorial A energia solar é a segunda maior fonte da matriz elétrica potiguar e tem perspectiva de crescimento nos próximos anos. Segundo Pedro Mutti, o estado se beneficia da alta incidência solar e da baixa nebulosidade. "Estamos em uma região próxima ao Equador, que recebe uma quantidade generosa de radiação solar durante todo o ano, com baixa nebulosidade e baixa persistência de nuvens por conta da baixa umidade", explicou. A localização do estado, no Nordeste brasileiro e próxima à Linha do Equador, também permite que haja uma incidência considerável de raios solares ao longo do ano. Apesar do potencial, o tamanho reduzido do território limita a expansão da energia solar em números absolutos. Com 52 mil km², o Rio Grande do Norte é o sexto menor estado do Brasil, considerando o Distrito Federal. INFOGRÁFICO: RN é referência em energia renovável Arte g1 Energia de sobra, dificuldade de escoamento e desperdício Dados do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) apontam que o Rio Grande do Norte tem capacidade para gerar mais de 10 gigawatts de energia eólica por mês -- quantidade suficiente para abastecer cerca de 5 milhões de residências ou 20 milhões de pessoas -- quase seis vezes mais que população potiguar, que é de 3,4 milhões, segundo o IBGE. Esse volume pode ser até dez vezes maior que o consumo do estado, segundo a Neoenergia Cosern, distribuidora local. RN consome em média cerca de 1 GW ao mês. Em setembro do ano passado o Rio Grande do Norte bateu recorde no "desperdício" de energia eólica em todo o país. Linhas de transmissão RN (Arquivo) Igor Jácome/G1 Um levantamento do Operador Nacional do Sistema (ONS) apontou que o estado foi responsável por 36% dos cortes de geração entre todas as unidades da federação naquele mês. 🔎 Contexto: o corte de energia, fenômeno conhecido como curtailment, ocorre quando usinas eólicas e solares são obrigadas a reduzir ou interromper a geração de energia devido à falta de capacidade de escoamento na rede de transmissão. Para o diretor do Senai e do ISI-ER, Rodrigo Mello, esse é um problema que pode dificultar o avanço da produção de energia eólica no estado. "Necessitam de algumas atividades governamentais para, por exemplo, reforçar ainda mais esse escoamento, reforçar essa subestação, a velocidade, a questão do armazenamento de energia", disse. Mais de 400 parques de energia Segundo a Aneel, o Rio Grande do Norte possui: 19 parques eólicos em construção (35 parques eólicos que tiveram licença aprovada); e 12 parques de energia solar (181 solares com licença aprovada). Segundo a Sedec, em 2024, último ano com dados fechados até este mês de janeiro de 2026, os investimentos em novos projetos de energia solar e eólica somaram R$ 10,1 bilhões, sendo R$ 7,8 bilhões destinados à geração eólica e R$ 2,3 bilhões à fotovoltaica. Segundo o titular da Sedec, Alan Silveira, a estimativa é de que o Rio Grande do Norte tenha um aporte de R$ 55,3 bilhões no setor elétrico até 2030. Parque energia eólica Rio Grande do Norte eólicas torres imagem aérea cima RN Sandro Menezes/governo do RN Placas solares se tornam opção para casas Além das grandes usinas espalhadas pelo estado, outra cena tem se tornado cada vez mais comum no Rio Grande do Norte: placas solares instaladas em telhados de residências. Mais do que aderir a uma fonte de energia sustentável, investir em placas solares pode gerar uma grande economia mensal. Foi o que motivou o servidor público Roberto Nascimento, de 61 anos, morador de Natal, a instalar placas solares em casa em maio do ano passado. "A gente estava observando as tarifas aumentando, a conta de luz estava aumentando, e fui fazer alguns orçamentos de usina. A gente percebeu que, pelos parâmetros do projeto, daria uma economia razoável, perto de 80%", explicou. Energia solar é produzida em usinas de grande porte e em instalações residenciais no RN Carlos Costa/Assecom RN Energia eólica no mar Em 2025, o Rio Grande do Norte teve registrada a primeira licença para um projeto de energia eólica offshore - tipo de energia gerada por meio da instalação de parques eólicos em alto-mar - do Brasil. O parque será instalado na costa da cidade de Areia Branca, na Região Oeste do estado, e tem previsão de funcionar como ponto de testes para novas tecnologias que podem ajudar o setor. "Além de ampliar significativamente a capacidade instalada, a geração no mar apresenta ventos mais constantes e intensos, o que garante maior fator de capacidade e previsibilidade de produção", acredita o secretário de Desenvolvimento do RN, Alan Silveira. Torres eólicas no pôr do sol na Praia de Tourinhos, em São Miguel do Gostoso, RN. Estado deverá ter torres instaladas no mar (Arquivo) Augusto César Gomes A Petrobras anunciou, em 2024, a construção, em Alto do Rodrigues, no Rio Grande do Norte, da primeira planta de hidrogênio renovável da companhia, com previsão de conclusão neste ano de 2026 e investimento de R$ 90 milhões. Segundo o secretário, o estado concentra cerca de 14 projetos de parques eólicos offshore em processo de licenciamento ambiental, o que, para ele, demonstra o interesse do mercado e o potencial de médio e longo prazo. Setor gerou mais de 13 mil empregos em um ano De acordo com a Sedec, o Rio Grande do Norte gerou mais de 13 mil empregos apenas na área de energias renováveis no ano de 2024, o último com o balanço fechado pela pasta até este mês de janeiro. Do total de vagas, 10.462 foram no setor eólico e 3.109 no solar. A maior parte das vagas foi para empregos indiretos ou induzidos, enquanto a menor parte foi para empregos diretos, distribuídos em fases de construção civil, instalações elétricas, testes e comissionamento. Para o professor Pedro Mutti, apesar do protagonismo no setor e dos investimentos atraídos pelo estado diante da força na produção de energia renovável, "isso gera também um desafio de gestão, que é garantir que os recursos atraídos para o Estado possam ser adequadamente alocados para o benefício dos municípios e da população de uma forma geral". Trabalhador sentado sobre uma torre de energia eólica (Arquivo) Arquivo pessoa/cedida Vídeos mais assistidos do g1 RN