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Ataques dos EUA ao Irã acontecem em momento de fragilidade do governo dos aiatolás

Ataque americano põe em dúvida futuro do regime iraniano Depois que os aiatolás derrubaram a monarquia do Xá Reza Palévi em 1979, o Irã inaugurou um regim...

Ataques dos EUA ao Irã acontecem em momento de fragilidade do governo dos aiatolás
Ataques dos EUA ao Irã acontecem em momento de fragilidade do governo dos aiatolás (Foto: Reprodução)

Ataque americano põe em dúvida futuro do regime iraniano Depois que os aiatolás derrubaram a monarquia do Xá Reza Palévi em 1979, o Irã inaugurou um regime teocrático. O mais alto cargo do país se tornou o do Líder Supremo, que concentra os poderes político e religioso. Apenas 2 pessoas ocuparam essa função. O aiatolá Khomeíni até 1989, e desde então, Ali Khamenei. O Líder Supremo também define a política externa; supervisiona o Parlamento; nomeia o comandante da Guarda Revolucionária; e indica os principais representantes do Judiciário. O presidente do Irã responde basicamente pelas políticas econômicas e outras questões internas. Ele é escolhido em eleições diretas, mas todos os candidatos precisam ser aprovados pelo Líder Supremo. Essa estrutura autoritária e centralizadora vem garantindo a permanência do aiatolá Khamenei no poder — mesmo diante de crises econômicas e protestos. Regime dos aiatolás já estava fragilizado Jornal Nacional Foi assim na revolta contra o aumento da gasolina, em 2019. Na onda de protestos de 2022, desencadeada pela morte da jovem Masha Ahmini, sob custódia da polícia da moralidade. E no início deste ano, nas manifestações que tomaram o país. A revolta começou no grande bazar de Teerã — por causa da desvalorização da moeda. Iranianos insatisfeitos com a inflação e a piora nos serviços públicos saíram às ruas em centenas de cidades. E logo, os protestos passaram a refletir o cansaço da sociedade com o autoritarismo do governo. O regime dos aiatolás fez o que fazem as ditaduras. Bloqueou a internet. Prendeu mais de 20 mil pessoas. E reprimiu os manifestantes com brutalidade. As mortes confirmadas passam de 6 mil. Mas ONGs de direitos humanos estimam que o número possa chegar a 30 mil. A repressão silenciou os protestos, mas não o desejo de mudança de boa parte da população. A economia não vai nada bem, principalmente por causa das sanções impostas pelo Ocidente. E os principais aliados regionais do Irã estão enfraquecidos. O ditador Bashar Al Assad foi deposto na Síria. E os comandantes do grupo extremista Hezbollah, no Líbano, e do grupo terrorista Hamas, na Faixa de Gaza, foram mortos por Israel. O Irã ainda tem a favor uma geografia privilegiada. Especialmente pelo controle do estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da produção de petróleo mundial. O controverso programa nuclear iraniano é outra arma dos aiatolás. Mas até hoje ninguém sabe ao certo o tamanho do dano provocado pelos bombardeios de Israel e Estados Unidos, contra as instalações nucleares iranianas, no ano passado. O regime iraniano conta ainda com a fragmentação da oposição. Nos protestos, dentro e fora do país, o ponto em comum é a crítica ao governo atual. Mas até agora não surgiu um nome que una os iranianos como alternativa ao regime autoritário que comanda o país há quase 50 anos. "Na hipótese de ele ter morrido, não muda nada no regime iraniano, absolutamente nada. A sucessão do Khamanei já está decidida há anos. A estabilidade do regime depende da Guarda Revolucionária, depende das Forças Armadas. O aiatolá nada mais é do que o líder espiritual da revolução, é isso", Hussen Kalout, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais.