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‘Analfabeto vai ganhar BBB?': fala de Edilson sobre Boneco expõe ignorância sobre dislexia; entenda transtorno

Leandro e Edilson tiveram atrito durante o Sincerão do BBB26 Manoella Mello/Globo Uma declaração feita pelo ex-jogador Edilson "Capetinha" nesta segunda-fei...

‘Analfabeto vai ganhar BBB?': fala de Edilson sobre Boneco expõe ignorância sobre dislexia; entenda transtorno
‘Analfabeto vai ganhar BBB?': fala de Edilson sobre Boneco expõe ignorância sobre dislexia; entenda transtorno (Foto: Reprodução)

Leandro e Edilson tiveram atrito durante o Sincerão do BBB26 Manoella Mello/Globo Uma declaração feita pelo ex-jogador Edilson "Capetinha" nesta segunda-feira (2), no Big Brother Brasil 26, gerou forte repercussão nas redes sociais e levantou um debate sobre dislexia e preconceito associado a dificuldades de leitura e escrita. Ao criticar o desempenho de Leandro "Boneco", outro participante do reality, Edilson usou o termo “analfabeto” de forma pejorativa: “Um cara desse, analfabeto, vai ganhar BBB? Vai ganhar que p***a de BBB?", questionou. A reação foi intensificada porque Boneco já havia relatado, antes de entrar na casa, que tem dislexia — um transtorno de aprendizagem que dificulta principalmente a leitura e a escrita. Ele já mencionou que foi alfabetizado quando adulto, com a ajuda da esposa, e que se formou em Música Popular pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). "Vale lembrar que ele é disléxico e isso não é motivo de vergonha, muito pelo contrário, só mostra o quanto ele lutou e luta pra estar onde está. E não é um discurso depreciativo, vindo de um conterrâneo, que vai invalidar a história do Boneco", postou a equipe do brother. Após as reações negativas do público, a equipe de Edilson postou no Instagram uma carta aberta de posicionamento, afirmando que ele quis dizer "analfabeto no jogo", e não "na vida". "Ontem, durante o ao vivo, Edilson utilizou a palavra “analfabeto” ao se referir ao Leandro. Em seguida, deixou explícito que falava do jogo, da dinâmica, da falta de habilidade estratégica que o próprio Leandro já declarou diversas vezes ter. Ainda assim, entendemos que a palavra, isolada do contexto, ganhou outra proporção", afirma o texto. "Diante disso, deixamos claro: como ADMs, escolhemos acreditar na justificativa dada por Edilson, porque conhecemos sua história, sua origem e seu caráter. Edilson jamais traria uma pauta com a intenção de desvalorizar alguém pelo nível de instrução, formação ou intelecto." Nesta reportagem, o g1 explica: o que é dislexia; quais são seus principais sintomas; como é feito o diagnóstico; que tipos de acompanhamento são indicados e por que o uso "analfabeto" como ofensa reforça estigmas sociais. ✏️O que é dislexia? Neurologista explica sobre dislexia e transtorno de linguagem A dislexia é um transtorno específico de aprendizagem, de origem neurobiológica, caracterizado por dificuldades persistentes na leitura e na escrita. A condição não está relacionada à inteligência e não decorre de falta de esforço, estímulo ou escolarização inadequada. Os sinais costumam se tornar mais evidentes durante o processo de alfabetização, quando a criança começa a aprender a associar letras e sons. Em muitos casos, dificuldades iniciais são consideradas parte do desenvolvimento esperado, mas o alerta surge quando esses obstáculos se mantêm por um período prolongado, geralmente superior a um ano. ✏️Quais os principais sintomas? Os sintomas variam de pessoa para pessoa e podem aparecer em diferentes intensidades. Entre os sinais mais comuns estão: dificuldade para identificar letras e associá-las aos sons correspondentes; leitura lenta e com esforço, com prejuízo na compreensão do texto; trocas de letras com sons semelhantes, como T/D, P/B e F/V; inversões (como “sapato” por “satapo”), omissões (“branco” por “banco”) e escrita espelhada (“sol” por “los”); dificuldade de organizar o pensamento na escrita espontânea; confusão entre direita e esquerda; desconforto ou estresse ao ler em voz alta. Especialistas reforçam que nem todas essas características necessariamente se manifestam. Em cerca de 25% a 30% dos casos, a dislexia pode estar associada ao transtorno de déficit de atenção, que deve ser avaliado e tratado separadamente. ✏️Como fazer o diagnóstico? Não há diagnóstico fechado de dislexia na primeira infância. Atrasos na fala, por exemplo, não indicam necessariamente o transtorno. Segundo especialistas, apenas durante o período de alfabetização é possível realizar uma avaliação mais precisa. O diagnóstico é clínico e feito por uma equipe multidisciplinar, que pode incluir neurologista, psicólogo, fonoaudiólogo e psicopedagogo. O processo envolve entrevistas sobre o histórico educacional, testes padronizados de leitura e escrita e avaliações do processamento fonológico. Antes da confirmação, é necessário descartar outras causas para o baixo rendimento escolar, como dificuldades de adaptação ao método de ensino, problemas emocionais, falta de estímulo ou alterações visuais e auditivas. ✏️Qual o tratamento? A dislexia é uma condição permanente, mas seus impactos podem ser significativamente reduzidos com acompanhamento adequado. O tratamento não busca “curar” o transtorno, mas desenvolver estratégias para melhorar a fluidez da leitura, a compreensão dos textos e a escrita. Entre as principais abordagens estão: terapia fonoaudiológica, voltada ao desenvolvimento da consciência fonológica; acompanhamento psicopedagógico, com métodos de alfabetização adaptados; apoio psicológico, quando há impacto emocional, como ansiedade ou baixa autoestima. Especialistas comparam o processo a um treinamento contínuo: a prática constante da leitura tende a aumentar, gradualmente, a velocidade e a compreensão, embora, em casos moderados ou severos, o processo possa continuar mais custoso ao longo da vida. ✏️Quais as adaptações pedagógicas necessárias? Após o diagnóstico, é fundamental que a escola seja informada. Entre as adaptações recomendadas, estão: mais tempo para provas, avaliações orais, redução de ditados, uso de recursos tecnológicos para escrita e apoio na leitura das questões. Essas medidas também podem ser solicitadas em vestibulares e concursos. O trabalho em sala de aula inclui, ainda, a orientação dos colegas para evitar isolamento e preconceito, com explicações simples sobre o que é a dislexia. Estigma e preconceito Especialistas destacam que a dislexia frequentemente é confundida com falta de inteligência ou desinteresse, contribuindo para o estigma em relação ao transtorno. O mesmo ocorre com o analfabetismo e o analfabetismo funcional, que no Brasil estão ligados a desigualdades históricas e barreiras de acesso à educação. Usar dificuldades de leitura ou escrita como ofensa reforça preconceitos. É importante deixar claro que o termo "analfabeto" não é um xingamento nem deve ser usado em tom pejorativo: mesmo que uma pessoa não saiba ler ou escrever, essa dificuldade jamais deve ser usada como desqualificação ou ataque pessoal.