cover
Tocando Agora:
A RÁDIO CIDADE . TOP - FELIZ 2026!!!

Água usada na criação de peixes por indígenas é reaproveitada em plantações na Terra Yanomami

Indígenas criam peixes em tanques na Terra Yanomami A água utilizada na criação de peixes em tanques na comunidade indígena Sikamabiu, na Terra Yanomami, ...

Água usada na criação de peixes por indígenas é reaproveitada em plantações na Terra Yanomami
Água usada na criação de peixes por indígenas é reaproveitada em plantações na Terra Yanomami (Foto: Reprodução)

Indígenas criam peixes em tanques na Terra Yanomami A água utilizada na criação de peixes em tanques na comunidade indígena Sikamabiu, na Terra Yanomami, é reaproveitada na irrigação de roças com plantio de mandioca, batata e arroz. O sistema, chamado de "fertirrigação", integra a produção de alimentos e dispensa o uso de fertilizantes químicos, fortalecendo a autonomia alimentar dos indígenas. A iniciativa faz parte de um projeto do governo federal que une piscicultura, irrigação de roçados e criação de galinhas, como alternativa à pesca em rios contaminados pelo mercúrio do garimpo ilegal no Baixo Mucajaí, no Sul de Roraima. O trabalho é feito pelos próprios indígenas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp 📍 A comunidade Sikamabiu reúne cerca de 400 pessoas, em aproximadamente 30 famílias, a maioria do povo Xiriana (ou Xirixana), subgrupo dos Yanomami. Ao todo, 34 indígenas foram capacitados para atuar em todas as etapas do projeto, desde a construção dos tanques até o manejo dos peixes e o uso da água nas plantações. LEIA TAMBÉM: Indígenas criam peixes em tanques para garantir alimento seguro após garimpo contaminar rios na Terra Yanomami O projeto era um pedido antigo da região, segundo Gerson da Silva Xirixana, presidente da associação Texoli, organização que representa os indígenas da localidade. “Muita gente não acreditou. Diziam que não ia dar certo. Hoje vemos o peixe e as plantas crescerem. É muito bom”, disse. 🐟 Produção integrada Plantas são irrigadas por água em um sistema de fertirrigação anexado aos tanques de peixe na comundiade Sikamabiu, na Terra Yanomami Caíque Rodrigues/g1 RR Segundo a pesquisadora da Embrapa Roraima, Rosemary Veilaça, bióloga especializada em agroecologia e inclusão, a água dos tanques passa por testes antes de ser reutilizada nas roças. “Aqui a gente não fala só de segurança alimentar, mas de cidadania alimentar. É um sistema em que uma produção sustenta a outra e garante autonomia para o povo”, afirmou. A unidade instalada em Sikamabiu conta com 10 tanques de piscicultura e dois açudes, com escavação de 440 m², que abrigam mais de 8 mil alevinos de tambaqui. A espécie, apesar de não ser endêmica da Terra Yanomami, é amplamente consumida na Amazônia. Os tanques substituem a pesca no Rio Mucajaí, que deixou de fazer parte da rotina da comunidade após a contaminação das águas pelo mercúrio, substância altamente tóxica ao ser humano. “Esses tanques são uma resposta direta à falta de peixes no rio. O mercúrio desce com a água, e quem está rio abaixo sofre mais. Hoje, o peixe do rio não é confiável”, explicou Rosemary Veilaça. Os peixes devem atingir o tamanho ideal até junho e garantir proteína animal segura à comunidade nos próximos meses. Para as lideranças, o sistema integrado é essencial para a permanência no território. O tuxaua da comunidade, Carlos Nailson Xirixana, afirmou que, mesmo sem garimpo direto em Sikamabiu, os impactos no rio afetaram toda a região. “O garimpo não foi aqui, mas o efeito veio pelo rio. Os peixes quase morreram todos. Por isso pedimos esses tanques. O peixe do rio já não dava mais segurança”, relatou. “Esses peixes dos tanques não são para vender. É para alimentar o nosso povo. A gente quer produzir para a comunidade". 🌱 Autonomia e conhecimento Indígenas Yanomami diante de um dos tanques instalados para criação de peixes na comunidade Sikamabiu Caíque Rodrigues/g1 RR Os tanques foram construídos com geomembrana, uma manta sintética impermeável escolhida por ser mais leve e adequada à logística da região, onde o acesso ocorre principalmente por rios, aeronaves ou trilhas na floresta. Para manter o sistema em funcionamento, o Instituto Federal de Roraima (IFRR) capacitou 34 indígenas em piscicultura. A proposta, segundo o diretor-geral do campus Amajari, Rodrigo Luiz Barros, é garantir autonomia completa à comunidade. “O conhecimento fica na comunidade”, afirmou. A liderança feminina Luísa Xirixana destacou que a formação técnica garante continuidade ao projeto. “O que a gente pediu foi aprender a cuidar da terra e do peixe, para ensinar nossos filhos e netos”, disse. A expectativa é que os indígenas capacitados se tornem multiplicadores do conhecimento dentro do território Yanomami, ensinando outras comunidades a produzir alimento de forma segura, fora do rio contaminado pelo mercúrio. “O rio não é mais como antes. Se a gente não aprende a produzir aqui, a gente não consegue continuar vivendo aqui", pontuou o tuxaua Carlos. Terra Yanomami Plantação da comunidade Sikamabiu, na Terra Yanomami Caíque Rodrigues/g1 RR Localizada no Amazonas e em Roraima, a Terra Indígena Yanomami tem quase 10 milhões de hectares. No território vivem mais de 31 mil indígenas, distribuídos em 370 comunidades. O povo Yanomami se divide em seis subgrupos linguísticos da mesma família: Yanomam, Yanomamɨ, Sanöma, Ninam, Ỹaroamë e Yãnoma. O território está em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal, após a posse do presidente Lula (PT), iniciou ações para atender os indígenas, como o envio de profissionais de saúde e de cestas básicas, além do reforço das forças de segurança na região para frear o garimpo ilegal. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.